Destacadas e destacados artistas, escritoras e escritores como Norman Briski, Dolores Reyes, Guillermo Martínez, Juan Solá e Fabián Casas; ativistas feministas e pesquisadoras como Alejandra Ciriza e Mabel Bellucci; reconhecidos ensaístas marxistas como Eduardo Grüner e Ariel Petruccelli, entre outros, acompanham esta convocatória junto com Myriam Bregman. Compartilhamos o texto completo com as primeiras assinaturas.
Que a raiva se transforme em luta e o apoio em uma nova ferramenta política. Você faz falta!
Algo novo está acontecendo. O crescimento da simpatia e do apoio que vimos sentindo nas ruas é enorme. E isso começou a se expressar também em diferentes pesquisas que colocam a esquerda entre as referências políticas com melhor imagem do país e maior adesão, particularmente Myriam Bregman e Nicolás del Caño.
Este salto não surge do nada. É o resultado de anos de luta contra diferentes governos e a repressão; de ter estado frente a frente com os genocidas nos julgamentos; de ser parte da Maré Verde e do enorme movimento de mulheres e diversidades; e, nitidamente, de ter enfrentado cada ataque de Milei desde o primeiro dia. De não ter votado suas leis. De acompanhar todas e cada uma das lutas, enfrentar a “reforma” trabalhista, denunciar o FMI e os empresários, e sustentar uma voz consequente quando outros se calavam, negociavam ou especulavam.
Também expressa uma raiva social crescente. Já não basta nem ter três empregos. As demissões avançam, o transporte é um desastre, os aluguéis são impagáveis e, enquanto os ricos enriquecem, aparece a cada dia um novo Adorni defendendo o indefensável. O desafio é transformar essa raiva e o apoio que cresce todos os dias em força militante, programa e organização para construir uma ferramenta política da classe trabalhadora.
O governo dos irmãos Milei atravessa uma crise cada vez mais profunda. Sua promessa de acabar com “a casta” afunda entre escândalos de corrupção, ajuste, entrega ao FMI e ataques permanentes contra aposentados, trabalhadores, pessoas com deficiência, universidades, ciência e direitos democráticos. Aparece cada vez mais claramente como um governo de saque a serviço dos poderosos. Seu alinhamento incondicional com Trump e Netanyahu mostra que este projeto reacionário não é um fenômeno isolado.
O peronismo finge que não é com ele. Não pode oferecer uma saída favorável para o povo trabalhador. Um setor foi diretamente cúmplice das leis e de garantir a governabilidade de que Milei precisou para avançar. Outro mantém suas alianças com governadores entreguistas e com a direção de uma CGT que foi indispensável para que avançasse todo o plano reacionário do governo. Agora muitos se limitam a esperar o desgaste do governo enquanto nos dizem que é preciso aguentar até 2027, sem apresentar um programa alternativo, enquanto alguns apoiam as mineradoras, outros Trump, outros a “reforma” trabalhista e todos sustentam a subordinação ao FMI.
Não se pode defender as maiorias populares apostando em uma aliança onde decidem empresários, banqueiros, governadores, burocratas sindicais e uma suposta burguesia nacional que há tempos escolheu ser sócia da entrega do país. A “mais ampla unidade” eleitoral sem discussão programática nós já vivemos: foi a Frente de Todos e terminou no desastre do governo de Alberto Fernández. Repetir essa fórmula, inclusive somando figuras como Pichetto ou Guillermo Moreno, não pode representar uma saída progressiva.
Por isso propomos colocar de pé comitês em todo o país para canalizar o apoio que estamos recebendo, impulsionar as lutas e debater a construção de um Movimento por um Partido da Nova Classe Trabalhadora.
Não partimos do zero. Somos parte da luta das comunidades contra o extrativismo; do movimento de mulheres; dos organismos de direitos humanos contra a impunidade de ontem e de hoje; e das lutas de trabalhadores e trabalhadoras da cultura. Em cada escola, hospital, universidade, bairro e local de trabalho há companheiras e companheiros que enfrentam o ajuste e não se resignam.
Existe uma classe trabalhadora mais diversa e fragmentada do que décadas atrás, mas também mais estendida: trabalhadores industriais e de serviços, estatais, docentes, da saúde, jovens precarizados, trabalhadores de plataformas, do comércio, cientistas, técnicos, profissionais assalariados e aposentados. Somos quem move o país todos os dias. Entre ocupados formais e informais, desocupados e subocupados, superamos os 15 milhões de pessoas e representamos, junto a nossas famílias, a enorme maioria do país. Essa força precisa de organização política própria.
Queremos que estes comitês sirvam para apoiar cada conflito, impulsionar campanhas de solidariedade e unir forças para que as lutas triunfem. Que sejam pontos de encontro para nos colocarmos em ação, desenvolver iniciativas sociais, culturais e esportivas, e exigir que sindicatos e centros de estudantes abandonem a passividade. Precisamos recuperar essas organizações para derrotar o plano do governo. Porque temos direito a nos rebelar.
Também propomos impulsionar fóruns e jornadas de debate tomando como ponto de partida o programa da Frente de Esquerda Unidade, que propõe a luta por um governo da classe trabalhadora. Um programa que defende a recomposição salarial e dos benefícios previdenciários; o fim da fraude e da informalidade trabalhista; a nacionalização dos bancos e do comércio exterior sob controle dos trabalhadores; e o desconhecimento soberano da dívida ilegal com o FMI e os fundos abutres.
Diante do desemprego crescente, propomos repartir as horas de trabalho reduzindo a jornada de trabalho para seis horas para criar 1.200.000 postos de trabalho com direitos e melhorar as condições de vida das companheiras e companheiros que hoje estamos trabalhando na informalidade. Precisamos unir a experiência de quem sustenta diariamente a produção e os serviços com os saberes da ciência, da cultura e da técnica colocados a serviço de um projeto emancipador. Para isso propomos formar equipes sobre economia, dívida, indústria, ambiente, energia, moradia, transporte, educação, saúde, tecnologia, inteligência artificial e meios de comunicação, e sobre como conquistamos uma nova sociedade: uma democracia das e dos trabalhadores.
Não há saída enquanto os bancos, as cerealistas, as mineradoras, as petroleiras, os monopólios, um Poder Judiciário corrupto e o FMI continuarem decidindo por milhões. Precisamos construir desde baixo um poder próprio de quem vive do seu trabalho, junto a quem estuda, produz conhecimento e sustenta o país todos os dias. Um poder apoiado em organismos de luta, assembleias, coordenadoras, sindicatos recuperados, centros de estudantes democráticos e assembleias de bairro. Essa força é a que pode desenvolver ações históricas independentes das massas capazes de enfrentar o poder real e também de reorganizar a sociedade sobre novas bases.
Queremos que esta convocatória chegue a trabalhadores, estudantes, aposentadas e aposentados, intelectuais, artistas, cientistas, docentes, ativistas sindicais, feministas e da diversidade, ambientalistas, lutadores pelos direitos humanos, militantes de esquerda, independentes e a todas as pessoas dispostas a construir uma saída de fundo. Também levaremos esta proposta a companheiras e companheiros do restante dos partidos da Frente de Esquerda Unidade e a organizações políticas, sindicais e sociais que simpatizam com esta perspectiva.
Te convidamos a se somar aos comitês para fortalecer esta nova posição da esquerda no cenário político nacional, impulsionar as lutas e derrotar os planos da direita, das grandes patronais e do imperialismo. Com Esq Diário
Assinamos esta convocatória como um primeiro passo. Impulsionemos juntos este debate em todo o país.
Myriam Bregman, Nicolás del Caño, Alejandro Vilca, Christian Castillo, Norman Briski (ator e dramaturgo); Rafael Spregelburd (dramaturgo); Dolores Reyes (escritora); Guillermo Martínez (escritor); Fabián Casas (escritor); Juan Solá (escritor); Eduardo Grüner (sociólogo e ensaísta); Ana Lucía Maldonado (artista visual); Alejandra Ciriza (referência feminista, CONICET/UNCuyo); Mercedes López Cantera (UBA/CEHTI); Mabel Bellucci (ativista feminista queer/IIGG/UBA); Marta Ungaro (militante de DDHH); Hernán Camarero (historiador, docente UBA/CEHTI); Alejandrina Barry (legisladora MC, militante de direitos humanos); Susana Roitman (Observatório Conflitos Trabalhistas, UNC); Federico Mare e Nicolás Torre Giménez (Revista Kalewche); Ariel Petruccelli (docente UNco); Aldo Casas (militante socialista desde 1960, antropólogo, escritor); Pablo Bonavena (sociólogo); Eduardo Lucita (integrante de EDI – Economistas de Esquerda); Juan Pablo Casiello (congressal da CTERA, ex-delegado seccional AMSAFE Rosario); Lorena Vargas Ampuero (docente e pesquisadora, Comarca Andina do Paralelo 42); Paula Varela (CONICET/UBA); Fernando Lizárraga (CONICET/UNCo); Alejandro Schneider (historiador UBA e UNLP); Pablo Scatizza (docente UNCo); Luca Bonfante (Rede Nacional de Agrupações En Clave ROJA); Santiago Roggerone (CONICET/ UBA); Omar Acha (CONICET / UBA); Marcelo Giraud (geógrafo UNCUYO); Matías Latorre (historiador UNCUYo); Pablo Becher (docente UNS); Santiago Díaz (docente UNCo); Damián Ravenna (APDH Zona Norte PBA, escritor); Mauricio Suraci (docente UNCo); Raúl Godoy (Movimento de Agrupações Classistas); Nicolás Robles López (docente e pesquisador UBA); Violeta Ayles Tortolini (doutora em História); Juan “Giancarlo” Imassi (artista e docente de arte); Erika Lederer (advogada); Modesto Emilio Guerrero (jornalista); Andrea D’Atri (legisladora CABA, fundadora agrupação Pan y Rosas); Franco Salvadores (geógrafo UNPSJB/Conicet); Julia Astegiano (doutora em Ciências Biológicas/CONICET); Maria Julia Constant (referência Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto, regional La Plata); Nelson Ávalos (trovador patagônico, Comarca Andina do Paralelo 42°), Maria Julia Bertomeu (pesquisadora principal do Conicet, aposentada); Maria Queheille (licenciada em Ciências da Educação); Omar Magrini (dramaturgo e realizador audiovisual), Marcos Britos (integrante Agrupação Rodolfo Puiggrós de aposentados/as e trabalhadores/as da UBA); César Manuel Román (ex-preso/desaparecido, docente universitário, UNMDP/ REDET); Lida Martínez (antropóloga); María Santucho (produtora cultural cubano-argentina), Pablo Timberg (jornalista); Sebastián Merayo (CONICET/UNR); Olga Cristiano (histórica da CNDA de CABA), Antonio Oliva (historiador UNR); Justina Lee (pesquisadora/economista); Ludmila Urtubey (poeta, docente e pesquisadora, IECH-UNR/CONICET); Elena Maidana (militante feminista, Coordenadora 8M, Posadas); Soledad Lemmi (docente-pesquisadora-extensionista UNLP/CONICET); Lisandro Cañon (Universidade de Oviedo); Pablo Gorlero (autor e diretor teatral), Celina Rodríguez (feministas de Abya Yala), Viviana Norman (socióloga, ativista feminista).