Na semana passada, a votação pela PEC da Blindagem, somada às movimentações por uma PEC da Anistia fizeram com que um amplo rechaço ao Congresso se instalasse na opinião pública. O rechaço se expressou também nos atos massivos no dia de ontem, os maiores desde a pandemia.
As mobilizações colocaram um novo elemento na disputa entre o Congresso e o STF que até então só operavam pelo alto. Dessa forma, abre-se a oportunidade para que os trabalhadores e a juventude emerjam e questionem não apenas a PEC da Blindagem e a Anistia, mas também todos os ataques que o Congresso foi linha de frente em aprovar nos últimos anos, como a Reforma Trabalhista e da Previdência e o Arcabouço Fiscal/Teto de Gastos. Ataque estes que contaram com a participação ativa do STF.
Essa possibilidade já fez com que as instituições e atores burgueses se movimentassem. Muitos deputados vieram a público se arrepender de seu voto à PEC. A Anistia ganhou tentativa de nova roupagem como PEC da “dosimetria”. E o Senado já admite não aprovar a PEC da Blindagem.
Nesse cenário, o ex-presidente golpista Temer, que ressurgiu das cinzas na cena política na última semana, veio defender um pacto entre poderes para a pacificação. O fato de tal pacto ter sido defendido por esta figura asquerosa mostra exatamente quem se beneficiaria dele. No momento de maior questionamento do Congresso, tal pacificação só serviria para preservar o Centrão que hoje reina na instituição, centrão esse que apesar do nome é composto por partidos de direita e extrema direita e que foi responsável por liderar vários ataques e sustentar o governo Bolsonaro. Portanto, além de buscar preservar o Congresso e o Centrão, a pacificação também buscar conter o potencial das mobilizações questionarem mais profundamente os ataques que tanto o Congresso como o STF foram parte de aplicar nos últimos anos, como a Reforma Trabalhista, da Previdência, o Teto de Gastos e sua continuação com Arcabouço Fiscal. Ataques que o executivo na figura do governo Lula, não apenas manteve como aplicou seus próprios (como o Arcabouço).
Portanto, ao invés dessa reacionária pactuação defendida pelo golpista Temer, o que nós precisamos é aproveitar o momento de mobilização e questionamento ao Congresso para intensificar a luta e arrancarmos demandas, como rechaçar Donald Trump, impor nenhuma anistia e o fim da escala 6×1, além da revogação de todos os ataques. É nessa perspectiva que nós do MRT e do Esquerda Diário nos colocamos.
Com informações da Esquerda Diário