A mobilização foi construída pelos sindicatos Unione Sindicato di Base (USB) e Cobas, e se somou a outras paralisações portuárias nas cidades de Livorno, Gênova e Ravena, onde os trabalhadores bloquearam o envio de 2 contêineres de explosivos, além da greve geral que tomou conta de mais de 80 cidades italianas em defesa da Palestina. Os trabalhadores bloquearam o porto de forma pacífica e forçaram o navio a se afastar da costa da cidade, acionando a lei 185/90 que proíbe a exportação de armamentos para países em guerra ou governos que cometam crimes contra a humanidade.
Os estivadores italianos vem dando fortes exemplos de como a greve e os boicotes de trabalhadores é a resposta para interromper o genocídio. Junto com os levantes da juventude e trabalhadores de outros setores, as mobilizações na Itália tem ressoado em toda Europa, especialmente no Estado Espanhol, onde manifestantes boicotaram a Volta Ciclística de Madrid em defesa da Palestina, além de fazerem greves em escolas e atos com milhares de pessoas, forçando o governo de Pedro Sanchez a fazer um embargo militar a entidade sionista.
A Itália é um importante exportador de petróleo refinado para Israel, e parte do petróleo bruto vem do Brasil, que em 2024 aumentou em 51% a exportação petroleira para Israel como denuncia o diretor do Sindpetro-RJ e redator do Esquerda Diário Leandro Lanfredi nesta pesquisa (aqui). Por isso, levantamos a campanha “nenhuma gota de petróleo para Israel”, exigindo a ruptura de todas as relações do Brasil com o Estado sionista, e o embargo humanitário.
Enquanto Lula faz demagogia na ONU acusando Israel de genocídio, a indústria brasileira segue enviando combustível e aço para as forças armadas israelenses, como a Villare Metals que enviou um carregamento de 56 toneladas de aço via porto de Santos para a Elbit System no início de setembro. É fundamental tomarmos o exemplo dos portuários italianos e organizar desde as bases os trabalhadores no Brasil para barrar a cumplicidade com o genocídio.
Com Esquerda Diário