A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi forçada a suspender todas as suas atividades na Cidade de Gaza, em meio à intensificação da ofensiva militar israelense, que avança com tanques e bombardeios incessantes contra a população palestina. Em denúncia contundente, Christopher Lockyear, secretário-geral da organização, afirmou que o que está acontecendo no enclave não é apenas uma crise humanitária, “é a destruição sistemática de um povo.”
Em carta, Lockyear denunciou a responsabilidade ativa dos governos ao redor do mundo na catástrofe em curso:
"Os governos de todo o mundo, seja por apoio político, militar ou material a Israel, ou pelo seu silêncio, são cúmplices do genocídio. Têm a obrigação moral e legal de responder. Isso significa exercer uma pressão política real, não palavras vazias, utilizando todas as medidas políticas, diplomáticas e econômicas disponíveis para deter essas atrocidades.”
Mesmo diante do colapso dos hospitais, da desnutrição alarmante e da destruição da infraestrutura civil, nenhuma potência ocidental rompeu com o apoio militar e político a Israel. Pelo contrário, Estados Unidos, União Europeia e aliados seguem aprovando pacotes de armamento e blindando Israel no Conselho de Segurança da ONU.
"Os médicos não podem parar o genocídio, os líderes mundiais sim", escreveu Lockyear em carta pública. “Para muitos, escapar é impossível: os idosos, os gravemente feridos, mulheres grávidas ou pessoas com doenças fatais. Aos que ficam para trás, foi decretada a morte.”
Bombardeios implacáveis e cerco total
Na última sexta-feira (26), ao menos 50 pessoas foram assassinadas pelas forças israelenses em ataques aéreos e ofensivas terrestres em Gaza, segundo informações da Defesa Civil local. Ao mesmo tempo, o exército israelense anunciou a intensificação da operação para retomar o controle total da Cidade de Gaza — área densamente povoada que ainda abriga centenas de milhares de palestinos que não conseguiram fugir para o sul.
Mesmo diante das ordens de evacuação, grande parte da população não tem condições de se deslocar.
"Aqueles que tentam fugir o fazem sob bombardeios intensos. Os que sobrevivem à jornada chegam a zonas superlotadas no centro e no sul de Gaza, onde não encontrarão segurança nem o básico para sobreviver", relatou Lockyear.
A suspensão forçada e os riscos à vida
A decisão da MSF de encerrar as atividades na Cidade de Gaza, anunciada nesta sexta-feira, 26, ocorreu após ataques israelenses atingirem áreas a menos de um quilômetro de suas instalações, criando um nível inaceitável de risco para equipes médicas e pacientes, segundo comunicado da organização.
“Não tivemos escolha a não ser interromper nossas atividades, pois nossas clínicas estão cercadas pelas forças israelenses. Essa é a última coisa que queríamos, já que as necessidades na Cidade de Gaza são enormes”, denunciou Jacob Granger, coordenador de emergência da MSF na região.
Apesar da retirada forçada, a MSF segue operando em hospitais e centros médicos do sul e centro da Faixa de Gaza, incluindo o Hospital Nasser em Khan Younis, o Hospital Al-Aqsa e unidades de campanha em Deir Al-Balah.
Ataque sistemático ao sistema de saúde
A repressão israelense à população palestina também tem como alvo os trabalhadores da saúde e as estruturas médicas:
- Mais de 1.500 profissionais da saúde foram mortos em Gaza desde outubro de 2023;
- 12 membros da equipe da MSF foram assassinados;
- O cirurgião ortopédico Dr. Mohammed Obeid, da MSF, segue detido por Israel desde outubro de 2024.
- Outro médico, Hussam Abu Safiya, preso em dezembro de 2024, encontrou pela primeira vez seu advogado nesta semana e foi encontrado com 25kg a menos, com a saúde debilitada e problemas relacionados a condições de privação no cárcere sionista.
As condições de vida estão em colapso:
25% das mulheres grávidas ou lactantes atendidas pela MSF estão desnutridas, com riscos graves de mortalidade fetal, abortos espontâneos e partos prematuros.
A infraestrutura civil está devastada: não há água potável, eletricidade, abrigo, medicamentos ou combustível.
“Genocídio com selo de cumplicidade internacional”
Lockyear fez um apelo direto à comunidade internacional, que segue lavando as mãos enquanto financia o massacre:
“Os países que expressaram sua indignação e solidariedade com os palestinos podem e devem fazer mais. Isso inclui garantir que todos os países cessem imediatamente as transferências de armas utilizadas para matar e ferir civis e destruir infraestrutura essencial em Gaza.”
Em suas palavras, “isto não é uma catástrofe natural, mas o produto de decisões políticas deliberadas”.
A denúncia de MSF escancara a falácia do “humanitarismo”, sobretudo das grandes potências imperialistas da Europa e outros países, que passaram a denunciar o genocídio e tomar algumas medidas em desagrado a Israel. As mesmas potências que choram “vidas civis” em discursos hipócritas, são aquelas que armam, financiam e protegem o Estado sionista de Israel, enquanto bombas enterram crianças, médicos e famílias inteiras sob os escombros de Gaza.
Este genocídio não é apenas tolerado: ele é construído com a cumplicidade direta das potências imperialistas.
É preciso levantar uma resposta internacional da classe trabalhadora
Frente à cumplicidade dos governos e da ONU, só a solidariedade ativa da classe trabalhadora internacional — com greves, boicotes, ocupações e mobilizações — pode impor o fim imediato da ofensiva sionista e o rompimento das relações diplomáticas, militares e comerciais com Israel.
A luta contra o colonialismo e holocausto sionista contra o povo palestino está no centro da luta anti-imperialista e anticapitalista hoje. Palestina Livre do Rio ao Mar!
Com Direita Diário