Maputo, 20 de julho (AIM) – O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) identificou Moçambique como o único país da região da África Austral que enfrenta conflitos contínuos responsáveis pela geração de necessidades humanitárias no segundo trimestre do ano corrente, numa altura em que a região procura recuperar de várias cheias.
Em um relatório do OCHA, Moçambique surge como uma exceção em um período em que a maioria dos países da África Austral passou de operações de emergência causadas por inundações e ciclones para iniciativas de recuperação e reconstrução.
Embora os efeitos dos ciclones que atingiram Madagascar e Moçambique e das inundações que afetaram mais de 2,6 milhões de pessoas na região tenham diminuído ao longo do segundo trimestre, o país continuou a enfrentar desafios humanitários associados à insegurança e ao deslocamento populacional [na província de Cabo Delgado, no norte do país].
“O conflito já causou 6.632 mortes desde o início da insurgência e, dos 2.408 incidentes violentos registados desde outubro de 2017, 2.224 envolveram alegados elementos do Estado Islâmico de Moçambique. As consequências da violência têm sido particularmente visíveis em termos de deslocamentos populacionais, destruição de infraestruturas, interrupção de serviços básicos e dificuldades de acesso aos meios de subsistência, fatores que continuam a alimentar a necessidade de assistência humanitária em várias áreas da região norte do país”, lê-se no documento.
O documento destaca ainda que a insegurança alimentar, os surtos de doenças, a desnutrição e as limitações de financiamento continuam a ser algumas das principais preocupações humanitárias na África Austral, afetando milhões de pessoas, incluindo em Moçambique.
“A desnutrição aguda continua sendo uma preocupação significativa em vários países, incluindo Moçambique, refletindo os efeitos combinados da seca prolongada, da insegurança alimentar e dos surtos de doenças. A cólera também continua representando uma ameaça na região. Entre abril e junho, foram relatados mais de 17.000 casos e mais de 200 mortes por cólera em Angola, Malawi, Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Zâmbia”, afirma o relatório regional do OCHA.
“Apesar de uma ligeira melhoria na segurança alimentar regional, apoiada por chuvas acima da média e colheitas sazonais, cerca de 13,3 milhões de pessoas permaneceram em situação de crise ou pior devido aos impactos persistentes da seca de 2023/24, às más colheitas e aos altos preços dos alimentos”, acrescenta o documento.
No entanto, o número de refugiados e requerentes de asilo manteve-se estável no geral, sem sinais de deterioração significativa nos movimentos populacionais dentro da região durante o segundo trimestre.
A organização também alerta que as vulnerabilidades permanecem elevadas em vários países da região da África Austral, “e a maioria desses países já entrou em fase de recuperação após as inundações registadas no início do ano, embora as inundações localizadas persistam em Eswatini”.
Sou/
Com Agência AIM