Entre os atos genocidas cometidos por Israel, o relatório aponta: o assassinato em massa de civis — 83% das vítimas são civis, sendo quase metade mulheres e crianças, segundo dados do próprio Estado de Israel —; a imposição de condições de vida que conduzem deliberadamente à morte por fome, sede, doenças e destruição de infraestrutura vital; a imposição de sofrimento físico e mental extremo, com registros de tortura, estupro e violência sexual; e, ainda, a destruição da capacidade reprodutiva palestina, com o bombardeio da maior clínica de fertilidade de Gaza, que resultou na perda de milhares de embriões e materiais genéticos.
A comissão também identificou seis padrões de conduta das forças israelenses que evidenciam a intenção genocida: assassinatos em massa, destruição cultural sistemática, sofrimento deliberado da população civil, colapso do sistema de saúde, violência sexual e ataques sistemáticos contra crianças. As provas foram consideradas “conclusivas” pelos juristas da ONU, com base em ações concretas e declarações públicas de figuras centrais do regime sionista, como o presidente Isaac Herzog, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa Yoav Gallant.
Essa intenção genocida, segundo o relatório, não é apenas retórica. Os atos desses líderes configuram o crime de incitação ao genocídio, conforme previsto no Artigo III da Convenção, sendo punível mesmo na ausência de execução — o que não é o caso, dado o nível extremo de destruição e morte imposto à Faixa de Gaza. O relatório responsabiliza o Estado de Israel por não apenas cometer, mas também por falhar em prevenir e punir o genocídio, escancarando a cumplicidade das instituições sionistas como um todo nesse crime contra a humanidade.
A comissão, liderada por Navi Pillay, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ), destaca que essa é a conclusão mais sólida juridicamente já emitida pelas Nações Unidas e que servirá de base para o julgamento que tramita na CIJ, movido pela África do Sul, acusando formalmente Israel de genocídio. Embora a decisão final da CIJ possa demorar anos, a ONU alerta que os Estados já possuem obrigação legal de agir preventivamente diante de provas claras de genocídio em andamento — sem necessidade de esperar um veredicto final.
O documento recomenda que os países membros da ONU suspendam imediatamente o envio de armas a Israel e imponham sanções contra o Estado sionista e todas as corporações ou indivíduos envolvidos na logística e financiamento do genocídio. Isso inclui empresas armamentistas, governos cúmplices — como os EUA, Reino Unido, Alemanha e União Europeia —, e figuras políticas que seguem apoiando o massacre, mesmo diante de provas incontestáveis.
Dados de um estudo devastador conduzido pelos pesquisadores internacionais Richard Hil e Gideon Polya estimam que são 680 mil o número real de palestinos mortos desde 7 de outubro de 2023 — dez vezes mais do que os já alarmantes números oficiais do Ministério da Saúde de Gaza, que registram entre 55 e 65 mil mortos até setembro de 2025. Essa cifra, equivalente ao extermínio de uma cidade inteira e não deixa dúvida dos crimes cometidos pelo sionismo, apontado também pela ONU.
Em meio à maior catástrofe humanitária do século XXI, a política das principais potências imperialistas, que tem na ONU o representante de seus interesses, é a de apoio ou de conivência com o genocídio em curso, em primeiro lugar por parte dos EUA e da União Europeia. Uma decisão como essa, vinda depois de mais de 700 dias de início da nova fase do genocídio, ainda que tardia, expressa o grau da barbárie que está acontecendo em Gaza e a força da solidariedade internacional que vem travando uma batalha contra o silenciamento da mídia, a conivência dos governos e dando visibilidade para o genocídio e à resistência palestina.
A condenação de crime de genocídio em Gaza expõe as entranhas do imperialismo, que financia, justifica e lucra com a máquina de morte israelense. Enquanto isso, governos como o de Lula no Brasil mantêm relações diplomáticas, acordos comerciais, mostrando que a política de condenar o genocídio nas palavras enquanto nas ações segue aumentando as exportações de petróleo, aço para Israel, é também cúmplice desse crime de genocídio.
A denúncia da ONU é um marco histórico importante para a denúncia do que está ocorrendo. Mas nenhuma resolução da ONU barrou ou irá barrar o genocídio na Palestina que ocorre desde a Nakba em 1948. É fundamental ampliar a força da solidariedade internacional com essa luta, colocando em cena a força dos trabalhadores e da juventude, aliada aos movimentos sociais, em cada país para impor o fim de todos os acordos militares e comerciais, o julgamento dos criminosos de guerra israelenses e seus cúmplices internacionais. A luta por uma Palestina Livre do Rio ao Mar hoje está no coração de todas as lutas contra a exploração e opressão aos povos do mundo todo e o destino da luta contra o capitalismo a nível internacional.
Com informacoes de Esquerda Diário