Mas, quem é María Corina Machado?
É de conhecimento público os constantes apelos de María Corina Machado por uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela — o que nada mais é do que impor — pela força das armas — um governo alinhado aos interesses imperialistas, relegando o país ao papel de servidor militar dos EUA. Mas o que isso tem a ver com “paz”?
Até pouco tempo atrás, quando os Estados Unidos lançaram um ataque ostentoso contra instalações nucleares iranianas — usando 14 super bombas anti bunker (incluindo o primeiro uso operacional da MOP GBU-57A/B) e mais de 70 armas de precisão — María Corina Machado disse a Donald Trump que Caracas estava mais perto do que Teerã.
Após essa agressão de larga escala ao Irã, para respaldar o regime sionista de Israel — que comete um horroroso genocídio contra o povo palestino — os EUA voltaram sua atenção para o Caribe, mobilizando seu poderio naval sobre Venezuela. María Corina Machado apoiou essa decisão e se colocou à disposição de Trump nessa ofensiva militar.
Em meio ao recente assassinato de dezenas de venezuelanos (e possivelmente de outras nacionalidades do Caribe) por conta dos brutais ataques do exército dos EUA a pequenas embarcações em alto mar — mortes questionadas por inúmeras instituições, da ONU a organismos americanos — María Corina permaneceu em absoluto silêncio, apoiando na prática tais barbáries.
Se no Oriente Médio falam de “paz pela força” — uma paz imperialista e genocida — aqui se trata de impor ou reforçar a subordinação da América Latina e da Venezuela aos interesses dos EUA por meio de ameaças militaristas, algo distante de resolver os problemas do povo venezuelano (ou dos colombianos, panamenhos, centro-americanos e mexicanos). É justamente essa política a que María Corina Machado defende para a Venezuela.
Também é deplorável que, quando Donald Trump não só impôs sanções contra a Venezuela como desrespeitou brutalmente as famílias de imigrantes venezuelanas (e latino-americanas em geral), María Corina tenha apoiado essa política desumana.
Um pouco da história de María Corina Machado
Em abril de 2002, durante o golpe militar-empresarial patrocinado pelos EUA, enquanto Hugo Chávez ainda contava com apoio popular, e se tentava derrubá-lo com o respaldo de partidos tradicionais, da burguesia, da Igreja, com apoio externo — o que fez María Corina Machado? Ela não esteve entre quem se mobilizou contra o golpe: estava ao lado desse intento autoritário.
Em 2002-2003, novamente houve tentativas de derrubar o governo usando sabotagem e paralisações econômicas promovidas pela burguesia. María Corina esteve alinhada ao setor que buscava impor “seu” governo independentemente da vontade popular.
Em 2004, após um referendo, quando a oposição foi derrotada nas urnas, María Corina e seu grupo rejeitaram o resultado, desconsiderando a vontade expressa pela maioria da população.
Em 2014, no movimento “La Salida”, junto com Leopoldo López e Antonio Ledezma, defendia-se a derrubada do governo por meio de mobilizações e pressão militar, visando substituí-lo por uma liderança conspiradora.
Em 2019, María Corina insistiu em pedidos de invasão militar estrangeira para destituir o governo de Maduro, entregando assim a “soberania popular” da Venezuela aos interesses de Washington.
Uribismo e sionismo: exemplos de María Corina Machado
Em 2020, María Corina deu mostras claras de sua visão de “democracia”: apoiou publicamente Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, responsável por um regime marcado por terrorismo de Estado — com perseguição, encarceramento e assassinato de líderes sindicais, populares e jovens.
E se isso não bastasse, María Corina apoia o genocida Estado de Israel. O partido Vente Venezuela (do qual ela participa) ostenta acordos de cooperação com o Likud, partido de extrema-direita de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu.
Israel, um Estado que promove racismo, colonialismo, invasões, limpeza étnica, apartheid e que hoje comete genocídio e massacres contra o povo palestino, conta com o apoio do partido de María Corina, que já tuítou com orgulho tais acordos. E não se satisfez: chegou a escrever:
“Hoje, todos que defendemos os valores do Ocidente estamos com o Estado de Israel; um genuíno aliado da liberdade.”
— María Corina Machado (@MariaCorinaYA)
Com Esq Diário