A fala de Haddad foi feita nesta segunda-feira (29) em entrevista ao podcast 3 irmãos. Para o Ministro de Lula, a suposta falta de produtividade e de entrega de resultados por parte destes trabalhadores é uma das principais razões da baixa qualidade destes serviços.
Uma lógica bastante liberal e patronal de culpar os servidores públicos pela precarização imposta por cortes nos orçamentos públicos que estão a serviço de pagar a dívida pública aos banqueiros, além da crescente terceirização que divide trabalhadores dos serviços públicos e impõe condições ainda piores a alguns setores.
A responsabilização individual que o ministro infere aos servidores públicos reafirma a importância de lembrarmos que estes são trabalhadores também precarizados, sem concursos frequentes e com cortes e ataques em suas profissões.
O próprio arcabouço fiscal proposto por Haddad, uma política que tem como continuidade e é complementada pela tal reforma tributária, que está se conformando como um ataque direto aos servidores e aos serviços públicos.
Lembremos que o arcabouço prevê um controle das contas públicas para o pagamento da dívida pública a ninguém menos que a burguesia de países imperialistas como os EUA, que hoje taxam o nosso país como parte de uma ofensiva contra o Brasil, assim como em diversos outros lugares da América Latina e do mundo.
Ainda, o controle das contas públicas nada tem de prioridade aos interesses da classe trabalhadora; na verdade é ela quem está no centro deste controle e dos cortes.
Até o momento já enfrentamos cortes na saúde, no Bolsa Família e na educação em nome do arcabouço fiscal.
Se enfrentamos uma crise no serviço público – que não é de hoje -, é porque sofremos ataques e a aprovação de reformas de forma sistemática por todos os governos brasileiros.
Essa fala de Haddad reafirma que governos conciliadores não vão atuar em defesa dos direitos conquistados pela classe trabalhadora diante da pressão dos capitalistas por mais ataques. É a mobilização independente pode defender esses direitos e reverter ataques já impostos.
O que vemos até aqui é um governo que defende o interesse dos empresários e, até mesmo, das dívidas do imperialismo.
Enquanto assistimos as falas de soberania nacional, os cortes afetam os trabalhadores que movem o Brasil diariamente, ao mesmo tempo que avança a degradação ambiental colocando os bens naturais comuns nas mãos do imperialismo, como no caso dos chamados “minerais raros” que agora são indicados como parte das negociações entre Trump e Lula.
Nenhum direito a menos para os servidores públicos! Pela revogação total do arcabouço fiscal e contra os ataques que governo e Congresso querem impor como parte de um novo regime tributário!
Com Esquerda Diário