O vídeo publicado pela Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani denuncia a violência que o povo Kaiowá sofre enquanto luta para recuperar parte de seu território ancestral.
O assassinato ocorreu na cidade de Iguatemi (MS), na retomada de Pyelito kue. A área integra a Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, sobreposta à Fazenda Cachoeira e retomada pelos indígenas em 3 de novembro. Desde então, vem sofrendo ataques de pistoleiros, evidenciando a escalada da repressão armada contra os povos indígenas — sustentada pela impunidade garantida pela aliança entre o agronegócio, o Judiciário e o Estado brasileiro.
“Perdemos um guerreiro que sempre esteve na luta em defesa dos direitos dos povos indígenas, Vicente era um dos porta-vozes da comunidade. Não tivemos chance, os jagunços estavam com arma de fogo, calibre .12 e .38 e acertaram um dos nossos”, relata Xe Ryvy Rendy’i, um indígena da comunidade, ao Repórter Brasil.
Cerca de 20 homens armados chegaram atirando na comunidade e incendiaram barracos e pertences dos indígenas foram incendiados e destruídos por um trator. Segundo as lideranças Guarani Kaiowá, eles tiveram que impedir que os pistoleiros levassem o corpo de Vicente e ocultassem o cadáver.
Mesmo com o marco temporal julgado inconstitucional pelo STF, a verdade é que o governo Lula segue paralisado diante da ofensiva do agro — e, pior, o fortalece com recursos públicos. O Plano Safra, por exemplo, despeja anualmente bilhões nas mãos desses capitalistas da terra que promovem a violência contra os povos originários. São pelo menos 29 demarcações de terras indígenas pendentes de assinatura do próprio presidente da República, além de centenas de outros processos travados por pura falta de vontade política.
Enquanto isso, Lula se apresenta ao mundo como “líder verde” da COP30, promovendo o marketing climático de um Brasil sustentável, ao mesmo tempo em que mantém alianças com latifundiários, banqueiros e o centrão ruralista. O assassinato de Vicente Fernandes revela, com sangue, que a política de conciliação de classes custa vidas indígenas.
Toda solidariedade ao povo Guarani Kaiowá! Justiça para Vicente Fernandes! Demarcação das terras já!
A verdadeira transição ecológica não virá das COPs, do mercado ou dos governos da conciliação. Ela só será possível pela aliança entre indígenas, trabalhadores e juventude, contra o capitalismo e o extrativismo predatório.
Com Esq Diário