Milhares de estudantes se manifestaram na última sexta-feira (14) em mais de 50 cidades italianas para protestar contra a gestão do governo que ataca a educação e o meio ambiente, enquanto simultaneamente pressiona por um orçamento massivo para armamentos de guerra. Os estudantes apelidaram os protestos de “Dia Sem Meloni” [em referência à primeira-ministra Giorgia Meloni]. Em Roma, Bolonha e Turim, a polícia reprimiu as manifestações.
Os protestos foram convocados por diversas organizações estudantis, incluindo o movimento “Fridays for Future” (Sextas pelo Futuro), que retorna às ruas para exigir atenção à questão climática, “contra o modelo escolar atual e contra as políticas repressivas implementadas por este governo”, bem como pela situação na Palestina, juntamente com organizações de base e partidos de esquerda.
O genocídio em Gaza foi um dos fatores que mobilizaram a juventude, que em 22 de setembro saiu às ruas em massa por todo o país sob o lema “Blocchiamo Tutto” (Vamos Bloquear Tudo), em solidariedade ao povo palestino e à Flotilha Global Sumud.
Essa primeira ação em massa foi seguida por uma greve nacional em 3 de outubro, na qual, além dos sindicatos de base e dos portuários, a principal federação sindical, a CGIL, teve que aderir devido à pressão que sofria entre os jovens e os trabalhadores.
Após essa data, todo o país começou a discutir o projeto de orçamento de austeridade que corta verbas da educação, saúde e auxílios sociais para destinar bilhões de euros ao horizonte belicista e militarista para o qual a União Europeia se encaminha.
Os estudantes acrescentaram suas reivindicações a esses protestos, convocando uma ação para esta última sexta-feira (14), que será concluída com uma nova greve em 28 de novembro, embora desta vez sem a presença da CGIL, já que a liderança burocrática do sindicato central tentou dividir as reivindicações e os diferentes setores, convocando uma ação em dezembro.
“O novo orçamento inclui cortes de 869 milhões de euros na educação. Estudar não deveria ser um privilégio”, explicaram os estudantes em sua declaração de motivos para o protesto.
“As escolas pelas quais passamos todos os dias não nos pertencem. Sofremos diariamente com as consequências de um sistema de ensino e avaliação ultrapassado; somos enviados para trabalhar em empresas exploradoras por causa da Lei de Proteção à Criança e ao Adolescente (PCTO), e enquanto bilhões são investidos em armamentos, alguns não têm sequer dinheiro para comprar livros. Precisamos imaginar um tipo diferente de escola”, disse Tommaso Martelli, coordenador do Grêmio Estudantil, à imprensa.
“Esta sexta-feira foi um dia importante de mobilização, em que estudantes se organizaram unanimemente contra o governo Meloni, os cortes na educação, a privatização e os processos de precarização do trabalho docente, e também contra a militarização”, dizem nossos colegas do La Voce Delle Lotte, que faz parte da Rede Internacional La Izquierda Diario na Itália.
Em Roma, os estudantes marcharam até o Ministério da Educação, onde pediram para serem recebidos pelo Ministro da Educação, Giuseppe Valditara, e estiraram uma faixa com a imagem da Primeira-Ministra Meloni usando um capacete de guerra e fantoches da Primeira-Ministra, do Senador Maurizio Gasparri e da Ministra das Universidades, Anna Maria Bernini.
Em Bolonha (centro da Itália), uma marcha foi bloqueada pela polícia de choque, sendo impedida de prosseguir. A polícia usou a força quando os líderes da marcha tentaram romper o cordão policial.
A polícia também reprimiu as ações em Turim.
Os estudantes também foram às ruas de Nápoles, onde uma marcha percorreu o centro da cidade, partindo da Piazza Garibaldi com faixas e slogans contra “genocídio, repressão e rearmamento”, criticando decisões do governo, incluindo a política externa.
Em Milão, a marcha estudantil reuniu 10 mil pessoas, segundo os organizadores, foi convocada sob o lema “contra a escola do genocídio” e chegou à Piazza della Scala, onde os manifestantes penduraram uma grande faixa que dizia “Palestina Livre”.
“Estamos protestando contra este governo que quer que vivamos com medo e sejamos submetidos às suas agendas. Sua violência não silenciará nossa voz”, explicou um representante estudantil por meio de um megafone em Milão.
As marchas desta última sexta-feira (14) continuaram durante o fim de semana em assembleias convocadas por diferentes organizações estudantis, onde discutiram como proceder e sua participação na greve de 28 de novembro e nas mobilizações convocadas para o dia 29.
Com Esq Diário