Semana passada muitas mídias importantes no Brasil, várias delas ligadas ao PT e ao governo Lula publicaram matérias, como está afirmando que o Brasil não está mais fornecendo petróleo para Israel. Algumas mídias até apontaram que isso seria resultado de ação do governo Lula, coisa que foi desmentido pela Agência Nacional de Petróleo que afirmou que não havia emitido nenhuma orientação deste tipo e que o evento de não ter ocorrido envios de petróleo do Brasil para Israel deveria ser investigado com as empresas e com o mercado.
O fato é que os dados comemorados dizem respeito somente ao envio direto para Israel. Colocar o ponto final no envio direto é omitir-se do grande envio indireto que está acontecendo. Se nosso objetivo for efetivamente contribuir ao embargo energético deveríamos perseguir também os envios indiretos. Procurarei mostrar aqui, mais uma vez, como isso tem acontecido e fartamente.
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Antes disso vale entender o que está acontecendo com o consumo de combustíveis pela entidade sionista, isso ajuda a entender porque o petróleo brasileiro está tendo um caminho indireto, via Itália, para Israel.
No gráfico a seguir obtido da plataforma Kpler vemos as importações de petróleo pela entidade sionista. Nele vemos a queda muito expressiva na importação de petróleo bruto, cru como se diz no jargão petroleiro. Caiu muito desde junho de 2025, por que?
Porque Israel tem 2 refinarias, uma em Ashdod e outra em Haifa, a de Ashdod tinha parada de manutenção programada e a de Haifa sofreu danos pela legítima retaliação por parte do estado iraniano agredido pelo sionismo. A manutenção da primeira atrasou muito e a segunda tem uma expectativa de voltar a um funcionamento mais normal só em outubro.
Deste gráfico podemos inclusive ler vários elementos sobre a logística sionista e a luta dos trabalhadores e povos solidários. Quase toda importação de petróleo acontece pelo terminal aquaviário de Ashkelon. Deste local há oleodutos ligando às duas refinarias. A importação ocorrer toda por este porto mediterrâneo é uma novidade, não era assim em 2023 e 2024. Vemos um azul clarinho no começo do gráfico que sumiu, era o terminal de Eilat no Mar Vermelho. A atuação dos houthis do Iêmen tem impedido o funcionamento por ali.
O gráfico que mostramos também mostra como antes do ataque ao Irã, Israel tomou medidas para aumentar seu estoque fazendo uma importação elevada e constante desde janeiro de 2025, prevendo e planejando diante de sua dificuldade futura.
Com essa queda muito expressiva na importação de petróleo cru, Israel ficou mais dependente de derivados já refinados em outros países. A curva de derivados é oposta da do petróleo cru, não para de subir.
De onde e de quem tem vindo o petróleo cru e de onde tem vindo o petróleo refinado?
O petróleo cru tem como suas duas principais fonte o porto de Ceyhan na Turquia onde o petróleo Azeri, do Azerbaijão, chega e petróleo do Cazaquistão que escoa pelo porto russo de Novorossiysk, mas também vemos diversos portos atlânticos da África, com petróleos “irmãos” dos brasileiros na Nigéria, Gâmbia, e também diversos portos egípcios, país vizinho da Palestina que deixa a fronteira de Rafah fechada para ajuda humanitária mas os portos de Sidi Kerir, da baia de Zeit e Marsa Al Hamra livre pra fluir petróleo.
Também chama a atenção como a Turquia mesmo declarando ter decretado um embargo energético a Israel segue permitindo que de seu porto de Ceyhan saia petróleo do Azerbaijão.
Quem são os donos destes petróleos?
É com zero surpresa que constatamos que quem garante o abastecimento de Israel são gigantes imperialistas e um estado aliado, o Azerbaijão que entra com 21% do petróleo por via de sua empresa SOCAR. Empatado em primeiro lugar está a TCO que é uma empresa da Chevron e da Exxon instalada no Cazaquistão, no terceiro lugar, das fontes conhecidas, está a KPO que é outra empresa imperialista naquele país asiático, esta controlada pela ENI e Shell, depois temos a KPV que é joint-venture de estatal cazaque com a BP e por fim ainda temos 14% no somatório das traders imperialistas Glencore, Vitol e Petraco que juntas somam 14%. As gigantes Exxon e Shell entregam diretamente e não por suas subsidiárias outros 6% e restam 12% para todas outras empresas.
Este é o retrato de 2025 para o petróleo cru. Para o derivado temos uma situação diferente e vamos focar nestes últimos meses, desde junho quando aumentou muito a importação de derivado por Israel. Israel procura fontes perto e mais seguras que não irão deixar seus tanques sem diesel.
Quem é a GOI Energy que lidera as fontes conhecidas de Israel? É uma empresa subsidiária do grupo sionista Bazan que controla a refinaria ISAB na Sícilia, na Itália. A segunda fonte conhecida mais importante é a refinarias Saras, controlada pela trader Vitol, na Sardenha, também na Itália. Segue de perto a Valero, empresa do imperialismo norte-americano.
Aí entram as fontes indiretas do Brasil que o petismo está ignorando ou tentando esconder. A refinaria Saras mencionada aqui foi sozinha responsável por 28% das importações da entidade sionista no crítico mês de junho. E de onde veio o petróleo refinado na Sardenha rumo a Ashkelon e depois Gaza e Ramallah? Uma boa parte vem do Brasil.
Em Junho qual era o petróleo brasileiro que foi entregue para a Saras produzir para Israel? 33% Petrobras e 67% Equinor, em Julho foi a Shell e em Agosto foi a Prio e a Petrobrás revendendo uma parte de sua produção da FPSO Guanabara para a norueguesa Knutsen Tankers.
Esses dados ilustram como cada vez é menos nosso o petróleo.
A Petrobrás é “operadora” no papel, segundo dados da Agencia Nacional de Petroleo, ela tem 90% da produção, mas parte dessa produção não é ela que controla, ela terceiriza uma parte da produção que ela entrega para multinacionais como a MODEC japonesa e a holandesa SBM para operarem. E para além do “controle” no papel a Petrobrás é “dona” de somente 61% da produção graças a parcerias e a cada novo leilão de petróleo.
Inclusive o governo Lula vem fazendo leilões, participamos de protesto junto a povos indígenas e ambientalistas em junho deste ano. Agora, em outubro, temos novo leilão do pré-sal, e em Dezembro a Pré-Sal SA, a PPSA, vai vender as áreas não contratadas.
Assim, leilão a leilão o petróleo é cada vez menos nosso e mais do imperialismo diretamente. Mas também indiretamente através da posse das ações da Petrobras que hoje já são 46% imperialistas e outros 17% de grandes investidores na Bovespa, deixando só 37% com o Estado Brasileiro.
Investigação inédita: Como o petróleo brasileiro vira combustível na Itália para abastecer Israel e o genocídio
Deste modo não é de se estranhar que o petróleo brasileiro tenha como destino o grande braço do imperialismo no Oriente Médio que é Israel e seu genocídio do povo palestino e seus ataques a todos povos da região.
Nós trabalhadores não podemos ficar passivos aguardando os governos e empresas tomarem em suas mãos ações que nós trabalhadores temos que tomar. É um exemplo para nós a votação dos portuários italianos de Genova na Itália que votaram greve geral dia 22/09 em solidariedade à flotilha e ao povo palestino. Nós trabalhadores que movemos o mundo podemos tomar em nossas mãos, parar a produção e entrega de petróleo, de armas e outras mercadorias para Israel e contribuir para a luta do povo palestino. A luta do povo palestino é o coração da luta internacional contra o imperialismo e o capitalismo, sua vitória fortalecerá a luta dos trabalhadores e todos povos do mundo. Nossa geração está vendo esse genocídio inominável, mas também está vendo se erguer um movimento de solidariedade histórico, sem precedentes. Nós trabalhadores podemos fortalecer esse movimento decisivamente e ser parte para contribuir para que a Palestina seja livre, do Rio ao Mar.
Com informações de Esquerda Diário