Imigrantes congoleses organizaram uma manifestação em frente à loja da Apple no bairro de Ópera, em Paris, no último dia 13, organizado pelo coletivo Team Congo. Eles denunciam o papel da Apple e de outras empresas de eletrônicos no genocídio que ocorre na República Democrática do Congo.
Essas empresas usam coltan para fazer seus telefones, um mineral que está concentrado principalmente no leste do país. Nesta região se concentra não apenas o conflito entre o exército congolês e grupos apoiados por Ruanda, que buscam ocupar a região e seus depósitos de coltan, mas também inúmeras denúncias de massacres de civis e o uso da violência sexual como arma de guerra, bem como o uso de trabalho infantil na extração do mineral. Desde 2022, o conflito no leste do país vem escalando, até que se chegou a um cessar-fogo em julho desse ano.
As empresas que fabricam eletrônicos financiam e se beneficiam desse genocídio ao comprar o mineral, e essa é a denúncia central da manifestação. O mesmo grupo convoca manifestações em lojas da Apple em diversos países no dia 19 de setembro, quando está marcado o lançamento do iPhone 17. Além da denúncia do genocídio no Congo, denunciam também o papel da Apple de apoio ao genocídio em curso na Palestina, exigindo o fim de suas doações para grupos de apoiadores do Exército israelense; uma investigação sobre o papel de funcionários da Apple no genocídio; uma declaração condenando o genocídio palestino e uma investigação sobre a cadeia de suprimentos da Apple, em especial os minerais e o fim de parcerias com setores cúmplices ou ligados ao genocídio congolês.
O genocídio congolês ocorre desde 1998, quando se iniciou a Segunda Guerra do Congo, e estimam-se que já morreram mais de 10 milhões de pessoas, além de milhões mais de refugiados, tanto internos quanto no exterior, dos quais cerca de 2569 vieram ao Brasil.
O ativista Prosper Dinganga, do coletivo A Voz do Congo, em declaração ao portal Alma Preta, mostrou a ligação das empresas de elêtronicos com o genocídio no país:
“Se você tem um equipamento electrônico, um celular, um carro elétrico, saibam que esses carros, esses equipamentos eletrônicos são feitos com alguns componentes. E os minérios que são a base desses componentes, como coltan e cobalto, são extraídos lá nas minas congolesas. E isso está matando e promovendo o maior conflito do mundo hoje”
O portal Alma Preta fez também uma importante cobertura da situação no país hoje, com um correspondente que percorreu importantes cidades congolesas. A cobertura pode ser conferida aqui.
A barbárie que ocorre na RDC, e na qual o Brasil tem participação através de seus militares na Missão “de Paz” da ONU, denunciada por diversos abusos de direitos humanos, é uma mostra do que a burguesia e os capitalistas estão dispostos a fazer para preservar os seus lucros.
A luta contra o genocídio no Congo e na Palestina, elementos que estão conectados, deve ser uma luta de todos os trabalhadores do mundo, contra a espoliação colonial e as guerras que a burguesia da Europa e dos Estados Unidos promovem contra a África, o Oriente Médio e o Terceiro Mundo, com cumplicidade e apoio das burguesias locais.
Com Esquerda Diário