A barbárie que tomou conta do Rio de Janeiro nesta terça-feira é a expressão brutal da farsa da guerra as drogas, mal chamada de “política de segurança pública” que promove morte e violência contra a população negra e pobre das periferias e caos em toda a cidade.
As vítimas dessa operação foram, em sua grande maioria, jovens negros, que, como de costume, foram automaticamente classificados como “terroristas” ou “traficantes” pelos discursos de Cláudio Castro e pela grande mídia. Para o Estado, todos os jovens de morros e favelas são culpados até que se prove em contrário. Não há investigação, não há justiça, mas o julgamento sumário na forma de chacinas que cada vez expõe números mais assustadores.
A operação de hoje se espalhou por diversos morros e regiões da cidade: Alemão, Penha, Anchieta, Méier, Grajaú-Jacarepaguá, Cidade de Deus, Chapadão, Engenho da Rainha, entre outros. A Avenida Brasil e a Linha Amarela, importantes vias de trânsito da cidade, também foram e ainda estão interditadas, levando o caos a toda a cidade. Escolas, hospitais e comércios foram paralisados, impactando diretamente milhões de trabalhadores e suas famílias. O pânico instalado nas ruas das favelas e bairros foi sentido por todos.
Essa chacina ocorre no período que antecede o início do ano eleitoral, o que torna ainda mais evidente que a política de repressão e extermínio da população negra e pobre é uma estratégia para garantir o controle social e o fortalecimento de uma máquina de poder baseada no medo e na violência. Para Cláudio Castro, a população das favelas não passa de um “inimigo interno” a ser exterminado para garantir a “ordem pública”. A partir da instalação do caos Castro visa presença das Forças Armadas e outras tropas para ter logros eleitorais e aumentar a repressão no RJ.
Chega de chacina. Chega da justificativa farsesca da “guerra às drogas”, que nada mais é do que um pretexto para perpetuar o racismo estrutural, a violência de Estado e a repressão às camadas populares. A mal chamada “política de segurança pública” de Castro e de outros governantes que defendem é a defesa da morte. O Rio de Janeiro, assim como outras cidades e estados brasileiros, precisam de políticas públicas que garantam a vida, a dignidade e o direito à educação e à saúde para todos — não de mais mortes, mais dor e mais violência.
É hora de dar um basta. A luta contra a violência policial deve ser uma prioridade. Os trabalhadores, movimentos sociais, de juventude, direitos humanos e organizações políticas da esquerda precisam se unir para exigir o fim das operações militares nas comunidades e responsabilizar o Estado por suas vítimas. Justiça para todas as vítimas de violência do Estado. Basta da chamada guerra às drogas.
Com Esq Diário