Larde, Nampula, 22 de Agosto (AIM) – A futura Vila das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) de Topuito, no distrito de Larde, província de Nampula, prevê a criação de um centro de formação e capacitação empresarial, escritórios, armazéns e uma infraestrutura de frio destinada à conservação e processamento de produtos agrícolas e pesqueiros.
A abordagem pretende responder a um dos principais constrangimentos enfrentados pelas empresas e produtores locais, nomeadamente, a falta de capacidade técnica e de infraestruturas para transformar a produção local em negócios sustentáveis.
A iniciativa vai qualificar micro, pequenas e médias empresas, reduzir perdas de pesca, estimular o agroprocessamento e aproximar produtores locais da cadeia de abastecimento, incluindo a Kenmare, que movimenta cerca de 70 milhões de dólares por ano na aquisição de bens e serviços, com preferência pelo conteúdo local.
O empreendimento, surge integrado na estratégia de desenvolvimento do Parque Industrial de Topuito, implementado pelo Governo através do projeto Conecta Negócios, financiado pelo Banco Mundial. O objectivo final é que uma região não seja apenas um território onde se extrai minério, mas um espaço onde se produz, transforma e gera emprego.
Para Dito Andela, especialista em infraestruturas na unidade de coordenação do Conecta Negócios, a Vila das PMEs será uma plataforma para treinar, incubar e preparar empresas, permitindo-lhes aproximar-se das oportunidades existentes a nível daquela região e responder aos padrões exigidos pelos grandes projetos.
“Esta vila servirá para treinar essas empresas. o objectivo é dar-lhes condições para se aproximarem da cadeia de valor dos produtos e serviços procurados pelos grandes investimentos que ocorrem em Topuito”, explicou Andela.
Explicou que o centro de treinamento será uma das estruturas centrais do empreendimento, onde depois da formação, as empresas deverão utilizar as oficinas previstas no local para transformar o conhecimento adquirido em experiência prática e, posteriormente, prestar serviços e fornecer produtos ao mercado.
Segundo Andela, esta combinação entre capacitação, incubação, infraestruturas e acesso ao mercado poderá ampliar o volume de negócios das empresas locais e gerar novos empregos.
Um dos componentes fulcrais da Vila das PMEs será a criação de uma infraestrutura de frio para conservação e congelamento de produtos. De acordo com os dados do projecto, estão previstas cerca de 20 armazéns, destinadas a diferentes actividades, incluindo a condição de produtos que relevam de refrigeração.
A infraestrutura procura resolver uma limitações identificadas durante os estudos de previsões, nomeadamente, a existência de produção agrícola e pesqueira significativa em Topuito, mas sem condições adequadas para conservar, processar e armazenar os produtos.
Uma nova estrutura deverá criar uma ligação entre pescadores, agricultores, ricos, armazenistas e mercados, permitindo que a produção local seja conservada por mais tempo, processada e comercializada de forma mais eficiente.
Em entrevista à AIM, o Director-Geral da Moz Parks, Honório Boane, explicou que a inexistência de infraestruturas adequadas para a conservação de produtos pesqueiros e agrícolas constitui um desafio local, garantindo que, a cadeia de frio deverá permitir que o pescado seja recebido, conservado, processado e posteriormente transferido para mercados com procura regular.
“A mudança poderá representar uma mais-valia direta para os pescadores, que passarão a ter melhores condições para reduzir perdas, melhorar a qualidade do produto e negociar com mercados mais estruturados”, disse.
Boane chama atenção para uma oportunidade ainda maior, que é a ligação entre a produção agrícola de Topuito e a procura criada pela actividade da Kenmare. Segundo a fonte, a Kenmare emprega mais de 6 mil trabalhadores na região e considerando as refeições servidas diariamente, estima-se uma procura de pelo menos 18 mil refeições por dia.
“Esse mercado representa uma oportunidade para agricultores, criadores de frango, pescadores, empresas de processamento de alimentos e outros fornecedores locais”, vincou.
“Queremos reduzir as importações excessivas, garantir que você produza aqui”, explicou Boane.
A Moz Parks aponta igualmente o agroprocessamento como uma das áreas com maior potencial dentro da Vila das PMEs, considerando a existência de uma grande procura local, associada à produção agrícola da região, criando condições para desenvolver empresas capazes de transformar materiais-primas locais em produtos com maior valor acrescentado.
Espera-se que essa transformação possa aumentar o rendimento dos produtores e, simultaneamente, criar oportunidades de até 10 mil empregos diretos e indiretos, para pessoas com diferentes níveis de formação. Com Agência AIM
(AIM)
Paulino Checo/