Hoje (24), os estudantes da USP organizam um acampamento na universidade em defesa do povo palestino e da Global Sumud Flotilha. A ação foi convocada pelo Comitê de Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino (ESPP), que foi responsável por organizar o primeiro acampamento universitário pela Palestina da América Latina em 2024, seguindo o exemplo de estudantes de toda Europa e EUA.
Esta iniciativa se soma aos estudantes da UNB, UFMG, Unicamp e UFRGS que também se mobilizam em acampamentos pela Palestina desde a semana passada. A atividade começa na USP depois da Flotilha sofrer 13 bombardeios por drones na noite de terça (23) enquanto navegava em águas internacionais próximas da Grécia. Com dois trabalhadores da USP embarcados, Bruno Gilga e Magno de Carvalho, a Flotilha está na Zona de Risco da missão, se aproximando cada vez mais de Gaza, enquanto é ameaçada por Netanyahu.
Neste momento, o que protege a Flotilha é a mobilização internacional de trabalhadores e estudantes, que vem dando fortes exemplos como nas paralisações nacionais de mais de 80 cidades na Itália e atos de milhares de pessoas na Austrália, Espanha, Reino Unido e no Brasil. Estas mobilizações já estão forçando os chefes de Estado a reconhecerem formalmente a Palestina, como fez a França esta semana e levou o governo de Pedro Sanchez no Estado Espanhol a promover um embargo militar à Israel. A forte greve de trabalhadores italianos mostrou o caminho, onde após a forte luta, o governo da Itália fez o envio de navios para a proteção da flotilha diante dos ataques de drones.
Mas, enquanto os governos fazem demagogia na ONU, defendendo a Palestina sem romper relações com Israel, os estudantes da USP se inspiram nos estudantes italianos que paralisaram as universidades este mês para pressionar a reitoria pelo fim de todas as colaborações com entidades sionistas, como a FFLCH que mantém convênio até 2026 com a Universidade de Haifa, que elaborou a estratégia de segregação em Gaza.
Inclusive, o governo brasileiro, ainda que afirme que o que acontece em Gaza hoje é um genocídio, segue mantendo todas as relações diplomáticas, militares e comerciais com o Estado sionista. Por exemplo, envia nosso petróleo para o tanque genocida de Israel, diretamente a serviço do massacre contra o povo palestino. Por isso, o acampamento leva consigo também uma campanha tão importante: Nenhuma Gota Mais de Petróleo para Israel!
Para barrar a ação, o deputado de extrema-direita Guto Zacarias acionou o Ministério Público de São Paulo pedindo um boicote judicial, usando o método típico da direita de acusar os estudantes de antissemitismo e apologia ao terrorismo. Defender a Palestina não é crime, e a pauta conta com apoio de milhares de judeus ao redor do mundo que se levantam para dizer “não em meu nome”. A população de Gaza está em situação de quase fome absoluta, segundo a ONU, enquanto toneladas de ajuda humanitária são bloqueadas pelo exército de Israel. Este é o verdadeiro terrorismo, o uso da fome e do blecaute para sitiar Gaza e a colonizar a Cisjordânia.
Nós da Faísca Revolucionária e do Esquerda Diário estamos construindo o acampamento, e rechaçamos os ataques da extrema-direita que pretende manter os convênios com o sionismo. A juventude que se solidariza pela Palestina e toma esta luta como sua é um forte exemplo da luta anti imperialista em nossos tempos, e deve estar vinculada a luta contra o governo de Tarcísio que compra blindados e fuzis de Israel para fortalecer a violência policial contra a juventude negra e periférica do estado.
Chamamos todos a compor o acampamento, que hoje será aberto com uma mesa composta por representantes de várias organizações, além de uma sessão de filmes palestinos.
Com informações da Esquerda Diário