O anúncio se dá depois dos EUA interromperem as pressões diplomáticas para exigir a renúncia de Maduro, numa ameaça mascarada de “negociação pacífica”. Em agosto Trump colocou uma recompensa de 50 milhões de dólares por provas que possam levar o presidente venezuelano à prisão, com objetivo de intimidar o governo venezuelano.
Agora avança para uma política mais violenta contra a América Latina e o Caribe, depois de já ordenar a explosão de diversos barcos em águas internacionais do Caribe, assassinando 27 pessoas sem nenhum julgamento ou ação legal, o último bombardeio aconteceu nesta terça (14).
Neste momento, 10.000 soldados americanos estão mobilizados no Caribe, especialmente em Porto Rico, além de haver 8 navios de guerra, um submarino nuclear e aviões espiões Poseidon 8, caças de alta tecnologia de guerra para espionagem e combate anti-submarinos.
O imperialismo americano conta com o apoio da França, que mantém navios de guerra nas Antilhas, próximos à colônia francesa de Guadalupe. Trump justifica toda essa mobilização militar acusando Maduro de chefiar um cartel de drogas, mas não apresenta nenhuma prova concreta, apenas documentos oficiais questionados pela própria inteligência nacional.
Trata-se do processo que seu governo moveu contra uma gangue de imigrantes chamada Tren de Aragua, onde Trump invocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros, lei de 1798 que permite a deportação de estrangeiros que possuem vínculos com Estados inimigos dos EUA em tempos de guerra.
Seu objetivo no início do ano era usar a lei para enviar os presos para uma prisão brutal em El Salvador sem defesa ou processo legal. A lei nunca havia sido utilizada em tempos de paz em mais de 200 anos. No fim de fevereiro a inteligência concluiu que os presos não tinham qualquer ligação com Maduro, mas Trump ignorou e pressionou servidores para refazer o estudo.
Não é de hoje que a CIA conspira contra a soberania dos países latinos e caribenhos, já tendo atuado diretamente em golpes de Estado na Guatemala em 1954, no Brasil em 1964 e no Chile em 1973, além de já ter tentado assassinar diversas lideranças locais. Mas a agência conta com aliados nacionais, no caso da Venezuela, a recém premiada com o Nobel da Paz María Corina Machado é uma forte entusiasta da intervenção imperialista e do genocídio contra o povo palestino, e que faz propaganda de intervenção americana na Venezuela há décadas.
Num momento em que Trump fala abertamente em intervenção para derrubar Maduro, nos colocamos em defesa da soberania venezuelana contra as agressões imperialistas, com uma posição independente do regime bonapartista e ditatorial de Maduro, que ataca os trabalhadores e concentra os lucros do petróleo nacional nos interesses de seu governo e aliados burgueses.
Com a escalada da tensão entre a direita venezuelana, submissa ao imperialismo e aliada do partido de Netanyahu e o governo autoritário de Maduro, a saída só pode se dar pela força da classe operária organizada de maneira independente e confiando apenas em seus métodos.
Com Esq Diário