Um retrato da demagogia “ecocapitalista” por trás do evento, sendo sediado em um estado onde os povos indígenas são os mais atingidos pelo pelo agro e pelas mineradoras que financiam o evento. Assim como a demagogia de políticos como o coronelista governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), aliado do governo Lula.
De acordo com o mais recente relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, divulgado pelo instituto Imazon, a Terra Indígena Munduruku, localizada no sudoeste do Pará, foi a mais pressionada entre todas as terras indígenas da Amazônia entre os meses de abril e junho de 2025. O território, que havia registrado queda no desmatamento após uma operação de desintrusão finalizada em janeiro, voltou a ser alvo da destruição ambiental com força renovada no segundo trimestre do ano.
A pesquisa, divulgada pela Agência Brasil, que monitora a Amazônia Legal com base em células de 10 km x 10 km, registrou seis células com desmatamento dentro dos limites da TI Munduruku. A reocupação ilegal da área por madeireiros e grileiros reflete a permissividade do governo de Helder Barbalho e do governo Lula com o avanço do extrativismo capitalista sobre os territórios indígenas nos meses anteriores a COP-30.
“Para gerar um efeito duradouro, é importante fortalecer a presença do Estado e envolver as próprias comunidades indígenas nas estratégias de preservação. Além disso, é essencial assegurar que os responsáveis por esses crimes sejam responsabilizados”, afirmou Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.
Além da TI Munduruku, as terras Kayapó também aparecem entre as mais pressionadas do estado, que sozinho concentra seis dos dez territórios protegidos mais devastados da Amazônia, incluindo unidades de conservação e áreas indígenas. Em 2024, ambos os territórios já figuravam entre os que mais haviam sido foco de queimadas em todo o país. Ainda que houve uma diminuição no começo desse ano, fruto da própria luta desses povos, no segundo trimestre de 2025 voltaram a estar no centro dessas queimadas.
No topo do ranking de áreas protegidas mais desmatadas aparece a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, também no Pará, com 15 células atingidas por devastação dentro da unidade, indicando que mesmo territórios com status de proteção oficial seguem sendo destruídos sem qualquer impedimento efetivo.
A realidade expressa nos dados do Imazon desmonta a propaganda oficial do governo federal e dos governos estaduais da região, que, de olho na COP-30, prometem metas ambientais, mas seguem aliados ao agronegócio e ao extrativismo predatório. A ausência de fiscalização, fruto de anos de precarização de órgãos como IBAMA, ICBio e Funai do governo Bolsonaro, é mantida sob o governo Lula, que já enfrentou greves em 2024 dos servidores de alguns desses órgãos exigindo melhores condições de trabalho e fiscalização.
Além disso, a sistemática impunidade dos criminosos ambientais e o incentivo ao garimpo por parte de agentes do agro e das mineradoras seguem alimentando a destruição da Amazônia e avanço sobre os territórios de povos indígenas em luta contra o colonialismo extrativista nos seus territórios históricos.
No caso da TI Munduruku, o retorno do desmatamento poucos meses após a operação de retirada de invasores demonstra que ações pontuais dos governos burgueses não são capazes de conter a sanha por lucro capitalista. É necessário fortalecer a luta contra as queimadas e os desmatamentos, unindo a força dos trabalhadores com a dos povos indígenas, enfrentando os interesses do agronegócio, das mineradoras e de seus representantes no Congresso e nos governos, tanto no de Helder Barbalho, mas também no governo Lula.
Com a COP-30 se aproximando, o Pará — estado que vai sediar o evento — se torna símbolo de uma farsa ambiental montada para os olhos do mundo, enquanto os os povos indígenas, que garantem a proteção dos rios e florestas nativas, são cercados por fogo, motosserra e grilagem.
A única resposta real à crise climática e à devastação da Amazônia virá da aliança entre os povos indígenas, trabalhadores e juventude, na luta contra um sistema que devasta para lucrar. Nenhuma conferência diplomática resolverá o que só pode ser enfrentado com a força da organização e do combate anticapitalista. A começar derrubando o reacionário Marco Temporal e impondo a demarcação das terras indígenas e direito a autodeterminação desses povos. Mas também expropriando a grande indústria do agronegócio e as terras do latifúndio como parte da luta por uma reforma agrária radical que coloque as terras sob controle dos trabalhadores rurais e dos povos originários.
Com Esq Diário