Hoje (22/09), o Estado de São Paulo sofreu com temporais com rajadas de vento ao longo do dia. De acordo com a Defesa Civil, foram registradas desde domingo 13 ocorrências causadas por temporais em São Paulo, com oito feridos. O Estado registra também 284 chamadas para queda de árvores, oito chamadas para desabamentos e 13 para enchentes.
Em Araçatuba, uma caixa d’água despencou de um prédio durante o temporal. Na capital, uma UPA ficou alagada. As linhas de trem privatizadas, operadas pela ViaMobilidade, foram afetadas e estão operando com velocidade reduzida. Além disso, muitas árvores caíram, afetando o trânsito. Em Peruíbe, no litoral paulista, cinco pessoas ficaram machucadas após a estrutura de um evento cultural cair sobre elas. Uma delas está em estado grave.
Na região metropolitana de São Paulo, cerca de 900 mil imóveis ficaram sem luz. O ABC Paulista foi a área mais afetada. Em São Bernardo, 74% dos clientes da Enel ficaram sem energia, com cerca de 271 mil endereços sem fornecimento. Na cidade de Santo André e Diadema, respectivamente, 29,6% e 14% dos imóveis ficaram sem luz. Em Cajamar, onde a Enel também é responsável pelo fornecimento de energia, 93% da cidade ficou sem luz. A queda atingiu pelo menos 43 mil imóveis na cidade. Segundo a Ene, o problema foi causado por um desligamento em uma subestação da empresa de transmissão Isa Energia Brasil. Afirmam, ainda, que fortes ventos, acompanhados de chuvas, causando queda de galhos e árvores e danos à rede elétrica em diversos pontos, seriam o problema. Entretanto, sabemos que a realidade não é essa: desde a concessão do fornecimento de energia do estado de São Paulo para a Enel em 2018, o serviço oferecido piorou muito, e são frequentes os apagões que afetam a vida da população. Vale lembrar que em outubro do ano passado, 2,6 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica, na capital e em outras cidades do estado, algumas por mais de 35 horas. Em novembro de 2023, moradores da capital paulista e da região metropolitana ficaram uma semana sem energia após um temporal.
As possíveis enchentes e deslizamentos provocados por chuvas como as que estão acontecendo não são um mero fenômeno natural, mas frutos da irracionalidade capitalista que explora os recursos naturais ao limite, desencadeando profundas alterações na dinâmica da natureza. As cidades estão organizadas de maneira orientada ao lucro, e não à moradia digna e de qualidade. É por isso que milhares de pessoas estão morando em locais de risco, sofrendo com enchentes e deslizamentos.
O avanço da privatização promovido por Tarcísio de Freitas em São Paulo submete a classe trabalhadora a um impacto ainda maior que a irracionalidade capitalista gera quando acontecem fortes chuvas. A falta de energia que a população paulista enfrenta há anos é fruto da privatização da Eletropaulo em 2018, quando a Enel comprou mais de 70% de suas ações. Essa compra fez com que a empresa aumentasse ainda mais sua capacidade de gerar e lucro dentro do Brasil, se tornando a maior distribuidora do país. Como se não bastasse, recentemente, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, propôs que a população pagasse uma taxa extra para que a Enel passasse os fios aterrados, escancarando que quer fazer não só com que os recursos públicos paguem pela situação, mas que o dinheiro saia do bolso da classe trabalhadora, para que os lucros privados sejam mantidos.
É preciso batalhar por uma reforma urbana radical, com um plano de obras públicas por moradias seguras, combatendo a especulação imobiliária, com ampliação do saneamento básico e de sistemas de captação de água para conter enchentes. Os governos estaduais, municipais e federal precisam garantir a segurança de milhares de pessoas que ficam em risco iminente com as chuvas. Para isso, é preciso combater também a privatização dos serviços públicos essenciais, que avança no estado com os ataques de Tarcísio. São necessários serviços de qualidade, que atendam aos interesses dos trabalhadores, e não ao lucro dos capitalistas.
O Estado e os capitalistas são responsáveis. Somente a classe trabalhadora organizada, ligada aos setores oprimidos, conseguirá colocar este programa de pé. É preciso construir uma greve geral contra as privatizações de Tarcísio, batalhando pela reestatização da Enel sob controle dos trabalhadores. Não é a chuva que mata e destrói as cidades, é o capitalismo!
Com informações da Esquerda Diário