A fala foi feita durante uma conferência imobiliária em Tel Aviv, um evento que expõe de maneira cristalina como as elites israelenses estão moldando seus planos econômicos para lucrar ainda mais com o genocídio palestino. Smotrich, que é um defensor de uma expansão territorial radical do Estado sionista, propõe uma reorganização da Palestina, expulsando a população de Gaza com a investida militar terrestre no território e a ordem de saída de mais de 1 milhão de pessoas da região.
Esse tipo de discurso reflete o modus operandi do imperialismo, onde guerras e genocídios são usados para garantir novos espaços de acumulação de capital. Gaza torna-se, portanto, um campo de batalha para interesses econômicos e geopolíticos em que os mortos e deslocados palestinos são tratados como mero custo de um “projeto de renovação”. Além disso, Smotrich fez referência à necessidade de recuperar os assentamentos de Ganim e Kazim, no norte da Cisjordânia, perdidos quando Israel fez retirada de terras palestinas em 2005.
O fato de que o governo de Israel agora discute ocupar a área para fins imobiliários e de colonização é uma continuação direta da lógica imperialista, que vê a terra não como um território de um povo, mas como um ativo econômico a ser explorado. A limpeza de Gaza e a sua transformação em um mercado imobiliário globalmente lucrativo é parte de um processo mais amplo de reconfiguração geopolítica, onde a guerra e a devastação servem aos interesses do capital internacional imperialista, especialmente dos Estados Unidos e dos grandes países europeus.
O imperialismo é uma fase do capitalismo que busca expandir suas fronteiras, seja através da exploração direta ou indireta dos recursos e territórios de outros povos. No caso de Israel, o imperialismo não se limita apenas ao controle territorial, mas envolve a destruição de Gaza com o objetivo de abrir novos espaços para o capital global, com a cumplicidade de potências como os Estados Unidos.
O capitalismo, em sua busca incessante por lucro, precisa da guerra e da destruição como mecanismos de acumulação. A criação de novos mercados e zonas de extração de riqueza, como o caso de Gaza, exige, por vezes, a aniquilação de povos inteiros. Gaza, portanto, é vista como uma “mina de ouro” não apenas por sua localização estratégica, mas também pelas oportunidades de acumulação de capital que a reconstrução e a reconfiguração dessa área devastada podem oferecer.
Mas, enquanto o sionismo segue suas investidas contra Gaza, trabalhadores do mundo inteiro se inspiram na coragem e resistência dos palestinos para se levantarem contra o genocídio. Exemplos fortes como os portuários gregos que se recusaram a descarregar um navio cheio de aço para a indústria bélica israelense em julho, ou os portuários de Gênova que ameaçaram paralisar a Europa caso a comunicação com a Flotilha se perca, mesmo que por 20 minutos.
No Estado Espanhol, uma série de manifestações têm ocorrido exigindo um fim ao genocídio palestino e apoio à autodeterminação do povo de Gaza, enquanto no Brasil, no dia 13, diversos atos em todas as regiões demonstraram a crescente mobilização contra a opressão imperialista e a favor da Palestina. A resistência global tem se intensificado, e com ela, a compreensão de que a luta contra a colonização de Gaza é também uma luta contra o capitalismo e todas as opressões, que se alimentam da morte e da destruição para garantir novos espaços de exploração.
Neste marco, a Global Sumud Flotilha, que segue sua jornada de resistência, se torna o grande símbolo desta mobilização internacional. Não se trata apenas de levar ajuda humanitária a Gaza, mas de desafiar diretamente o bloqueio criminoso imposto por Israel e denunciar o imperialismo que sustenta a ocupação e a opressão do povo palestino. O movimento é um grito global contra as políticas imperialistas e uma afirmação da solidariedade com a Palestina, que se resiste não apenas à ocupação militar, mas à exploração econômica disfarçada de “investimento” e “recuperação”. A luta pela Palestina é, portanto, também uma luta contra o imperialismo e seus mecanismos de destruição e acúmulo de riqueza.
Com informações de Esquerda Diário