Há uma “demanda represada” na pauta da reforma agrária popular no Brasil por conta do cenário dos últimos anos. O golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, em 2016, antecedeu a paralisação de políticas públicas para o setor até o governo de Jair Bolsonaro (PL). A pandemia da covid-19 também afetou as políticas para a terra no país.
Para Ceres Hadich, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em 2023, com a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abre-se um novo ciclo para as pautas da reforma agrária. Além da retomada, ela destaca a importância da “necessidade concreta de avançar nas lutas”
“Iniciamos 2023 com uma expectativa grande no fortalecimento da luta pela terra e da democracia. Então, a nossa caminhada se dedicou fundamentalmente a garantir que se estabelecesse novamente um governo democrático, que lutamos para conquistar e referendar”, destaca a dirigente, ao dizer que o fortalecimento da democracia está vinculado ao combate à extrema direita.
Durante o ano, o MST e outros movimentos populares do campo ecoaram as pautas necessárias para o avanço em direitos pela terra. As reivindicações se relacionam com outras demandas urgentes, como o combate à fome e a preservação da natureza. Porém, os números de 2023 e 2024 estão longe avançar o suficiente para garantir o assentamento das famílias que esperam por esse direito.
O MST cobra que ao fim do terceiro governo Lula, em 2026, 200 mil famílias tenham sido assentadas. Até outubro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) contabilizava 753 famílias. Em orçamento, o movimento reivindica R$ 2,8 bilhões anuais. Entretanto, a expectativa em que para o ano é que vem sejam destinados R$ 567 milhões para esse fim.
“Esse descompasso entre a demanda, o buscar, o conquistar e o efetivar, precisamos resolver logo. Porque é mais do que número e política. É uma questão concreta. Quando falamos em PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], estamos falando em alimento, em uma questão concreta, que é a fome. Nos preocupa esse descompasso que tem havido entre a política, o orçamento e a efetivação. Isso não é só na nossa pauta, mas na do povo brasileiro como um todo”, afirma Hadich.
Edição: Thalita Pires