O leilão de hoje ocorreu sob protesto de trabalhadores, ambientalistas e movimentos sociais no Rio de Janeiro, para saber mais deste ato que também levantou a bandeira da defesa do emprego dos trabalhadores da Refinaria de Manguinhos veja neste link. O leilão de hoje tinha como objeto 7 campos de petróleo no polígono do pré-sal, abrangendo a Bacia de Santos e a de Campos. Todos os campos foram abocanhados através de minúsculos pagamentos e promessas ínfimas de recursos entregues à União como “excedente em óleo para União”. Quem levou os campos foram empresas norueguesas, australianas, chinesas e só de forma bem minoritária a Petrobrás.
Esse entreguismo acontece na esteira da decisão de explorar petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e do anúncio pela Petrobrás de terceirização e formação de joint venture para operar a Petrobras Biocombustível, uma privatização velada. O governo Lula, para além de sua demagogia com a COP, mostra como toca um extrativismo e uma subordinação ao imperialismo. Neste domingo Lula terá reunião com Trump e há muitas especulações sobre acordos envolvendo terras raras e outros bens naturais comuns de nosso país. No que tange ao petróleo ele está sendo entregue mesmo antes da reunião, leilão a leilão. Em 4/12 há outro leilão já marcado.
Não há nenhuma transição energética nas mãos do governo Lula. Há exploração na Foz do Amazonas, aumento do financiamento do agronegócio, privatização e terceirização da Petrobrás Biocombustível e uma continuidade de entreguismo do petróleo brasileiro. O petróleo é cada vez mais estrangeiro e imperialista. Os dados da ANP de Junho indicam que a Petrobrás só era proprietária de 61% de toda produção nacional e a cada leilão isso só diminui mais e mais.
Veja a seguir os dados obtidos da ANP dos nomes dos campos, suas pequenas quantidades de óleo que serão pago como imposto e as empresas vencedoras.
Esmeralda, quantidade de óleo a ser pago 14,10%. Empresa vencedora: Karoon Brasil, da Austrália
Ametista, quantidade de óleo a ser pago 9,00%. Empresas vencedoras, as chinesas CNOOC 70% e SINOPEC (30%)
Citrino, quantidade de óleo a ser pago 31,19%. Empresa vencedora: Petrobrás
Itaimbezinho, quantidade de óleo a ser pago 6,95%. Empresa vencedora: norueguesa Equinor
Jaspe, quantidade de óleo a ser pago 32,85%. Empresas vencedoras: Petrobrás (60%), norueguesa Equinor (40%)
Há uma claro nexo entre a perda de soberania, no petróleo e em cada bem natural comum do país, suas terras, águas, minérios todos eles estão sendo entregues e está aumentando a devastação ambiental. É preciso enfrentar o imperialismo, acabar com os leilões de petróleo, lutar pelo retorno do monopólio estatal, para que toda cadeia de pesquisa, produção, refino e logística de petróleo seja de uma Petrobrás 100% estatal administrada democraticamente por seus trabalhadores junto a ambientalistas e outros especialistas eleitos em universidade pública, para que assim possa se dar passos verdadeiros de transição energética, o que só pode acontecer enfrentando o imperialismo e o capitalismo.
Com Esq Diário