Israel afirmou que 37 organizações “não cumpriram suas novas e rígidas normas” para grupos de ajuda que operam na Faixa de Gaza ocupada e que seriam suspensas a partir de 1º de janeiro.
Tratam-se de organizações chave na coordenação da ajuda aos gazitas em meio à devastação provocada por dois anos de genocídio israelense. Entre os importantes grupos internacionais de ajuda aos quais Israel proibirá o ingresso estão Médicos Sem Fronteiras (MSF), Oxfam, ActionAid e o Conselho Norueguês para os Refugiados.
Bushra Khalidi, responsável por políticas da Oxfam no território palestino ocupado, disse ao site Middle East Eye que as novas normas agravariam uma situação já desastrosa em Gaza.
“Desde março, as autoridades israelenses vêm impedindo que a Oxfam e muitas outras organizações levem materiais a Gaza, independentemente do status formal do nosso registro”, disse ela, acrescentando: “Isso já restringe nossa capacidade de ampliar o fornecimento de água, saneamento, abrigo e outros itens em um momento de necessidade extrema.”
As organizações denunciam que o “registro” exigido por Israel como “nova norma” para entrada na Faixa de Gaza, na prática, limita qualquer operação de ajuda no território ocupado.
Consequências devastadoras
Como tem feito desde o início do genocídio, Israel acusou várias organizações de ajuda, incluindo a MSF, de colaborar com o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, como forma de boicotar qualquer ajuda ao povo palestino.
A situação piorou no início deste ano, quando Israel, junto a organizações de mercenários dos Estados Unidos, proibiu a entrada de ajuda e estabeleceu campos de concentração onde era o próprio exército israelense que distribuía os mantimentos — e nesse contexto, controlava, revistava, atirava, torturava e assassinava centenas de pessoas que tentavam desesperadamente conseguir uma porção de comida para levar de volta aos seus acampamentos.
Nove meses depois, em meio a um frágil cessar-fogo sistematicamente violado por Israel, o Estado sionista busca novamente reduzir ao mínimo a entrada de ajuda, como se vê nessas novas regulamentações.
Médicos Sem Fronteiras, um dos maiores grupos médicos que atuam em Gaza, advertiu que essa nova decisão de Israel teria um impacto catastrófico em seu trabalho na Faixa e negou as acusações de Israel sobre seu pessoal. “Em Gaza, a MSF administra cerca de 20% dos leitos hospitalares e assiste um em cada três partos. Estamos buscando soluções com urgência para poder continuar prestando serviços à população palestina em Gaza e na Cisjordânia.”
O parlamento israelense aprovou na terça-feira, em votação final, uma legislação que determina o corte do fornecimento de eletricidade e água aos escritórios da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém, e a lei entra em vigor imediatamente.
Tudo isso ocorre enquanto as fortes chuvas e ventos da última semana inundaram e arrancaram tendas na Faixa de Gaza, agravando as já terríveis condições de vida dos palestinos após dois anos de genocídio israelense.
Desde o início da temporada de chuvas, no começo deste mês, pelo menos três crianças morreram de frio, enquanto outras 17 morreram devido ao desabamento de edifícios causado pelas tempestades e pelos ventos fortes.
Segundo o Shelter Cluster, mais de 42 mil tendas e abrigos improvisados foram danificados entre os dias 10 e 17 de dezembro, afetando quase um quarto de milhão de pessoas na Faixa.
O Escritório de Imprensa do Governo com sede em Gaza informou no domingo que Israel continua descumprindo suas obrigações segundo o acordo de cessar-fogo e não permite a entrada dos 600 caminhões diários acordados para a Faixa bloqueada.
Apenas cerca de 20 mil caminhões entraram na Faixa de Gaza dos 48 mil previstos desde outubro.
O novo anúncio de Israel faz parte do genocídio que continua de diferentes formas. É necessário redobrar os esforços que foram vistos ao redor do mundo nos últimos dois anos, culminando em mobilizações massivas, nas flotilhas em solidariedade com Gaza, e nas greves e bloqueios promovidos por trabalhadores e pela juventude italiana que foram às ruas em apoio ao povo palestino. Trata-se de um exemplo a ser seguido em todo o mundo enquanto se organiza uma nova flotilha para abril de 2026.
Com informações do Middle East Eye
Com Esq Diário