A própria continuidade das mortes desmonta a farsa propagandeada pelo imperialismo ianque e pelo Estado colonialista de Israel de que haveria uma trégua real. O cerco, a destruição da infraestrutura, o deslocamento forçado e a negação de acesso à saúde e às condições mais básicas de sobrevivência seguem impondo uma vida insustentável ao povo palestino, especialmente às mulheres e crianças.
Os dados mostram como proporção de mulheres e meninas assassinadas nessa última fase do genocídio foi maior do que em ofensivas anteriores contra Gaza. Além disso, cerca de 1 milhão de mulheres e meninas estão deslocadas, enquanto mais de 500 mil seguem sem acesso a serviços essenciais de saúde, como atendimento pré-natal, pós-natal e tratamento básico. Além disso, agência da ONU para crianças, Unicef, disse nesta sexta (17) que as crianças continuam a ser mortas e feridas em um ritmo alarmante em Gaza, com pelo menos 214 mortes registradas nos últimos seis meses.
Longe de significar o fim da matança, o cessar-fogo apenas encobriu a continuidade da violência colonial e genocida. Segundo a Reuters, mais de 750 palestinos foram mortos desde então. Neste sábado, 18 de abril, a Unicef denunciou que dois motoristas contratados para distribuir água potável em Gaza foram mortos por disparos israelenses no norte da faixa, durante uma operação humanitária rotineira. Ou seja: mesmo depois do anúncio oficial de trégua, Israel segue assassinando palestinos, inclusive trabalhadores civis envolvidos em ações de sobrevivência básica da população sitiada.
É nesse marco que a atual missão da Global Sumud Flotilla, que segue rumo a Gaza para romper o bloqueio e levar solidariedade ao povo palestino, ganha ainda mais importância. A flotilha denuncia na prática que o genocídio segue em curso e que, por trás do discurso diplomático das potências, Israel mantém sua ofensiva colonial e genocida contra Gaza.
Mas a solidariedade internacional precisa se ampliar também em terra. Para enfrentar o sionismo e o imperialismo, não basta denunciar: é preciso fortalecer a mobilização nas ruas, as greves e a luta da classe trabalhadora e da juventude em todo o mundo. É essa força social e política que pode impor uma derrota aos cúmplices do genocídio do povo palestino. Com Esq Diário