Dima Abuaita, moradora do bairro Rimal, no centro de Gaza City, é um exemplo claro dessa luta desesperada pela sobrevivência. Ela empacotou os itens mais preciosos, incluindo roupas e colchões, próximos à porta de sua casa, na esperança de conseguir sair da cidade, mas sem os recursos necessários para uma fuga segura. “Não é que eu recuse salvar minha vida e a dos meus filhos, é que eu não tenho dinheiro para nos manter seguros”, disse Dima, em entrevista ao Middle East Eye.
O custo da fuga é inacessível para a maioria dos habitantes: ela precisaria de aproximadamente 5.000 shekels (US$ 1.500) para transportar seus pertences para o sul da faixa de Gaza, além de 2.000 shekels (US$ 600) para comprar uma tenda e ainda arcar com o aluguel do terreno onde montaria abrigo.
Este é o cenário em que os 1,2 milhão de palestinos que vivem no norte de Gaza se encontram desde que Israel anunciou a intenção de ocupar completamente a Cidade de Gaza e forçar todos a se deslocarem para o sul da região. Porém, a realidade econômica e a falta de infraestrutura adequadas fazem com que muitos não apenas não consigam fugir, mas também se recusam a sair da cidade.
Não à toa que a Palestina e a Faixa de Gaza em particular pode ser considerada a maior prisão a céu aberto da atualidade. No norte de Gaza, há muito tempo que os palestinos tentam fugir frente a aniquilação das condições de vida, como hospitais, comida, fontes de energia, mas não conseguem. Enquanto isso, as bombas seguem caindo sobre suas cabeças, quando não os matam de fome.
Além da inacessibilidade financeira, muitos palestinos resistem em abandonar suas casas, cujas histórias e laços familiares remontam a gerações. Para muitos, essa fuga forçada significa perder não apenas tudo o que possuem materialmente, mas também sua identidade e dignidade.
Com o avanço invasão por terra, a situação se torna ainda mais crítica. Israel segue acelerando sua ocupação, aumentando os ataques aéreos e terrestres, enquanto milhões de palestinos enfrentam a dura escolha de tentar sobreviver no que resta de suas casas ou permanecer em uma terra que, aos poucos, se torna um campo de batalha sem fim.
Enquanto isso, a resistência palestina continua a se organizar, com os habitantes de Gaza resistindo a cada bombardeio, a cada deslocamento forçado, e a cada dia de ocupação brutal. A essa resistência contra a tentativa de limpeza étnica, de extermínio de um povo e roubo de suas terras, a serviço dos interesses imperialistas na região, estão todas as lutas contra a opressão capitalista e imperialista de todo o mundo.
Todos os Olhos em Gaza! Palestina Livre do Rio ao Mar!
Com informações da Esquerda Diário