Pesquisa produzida pelo Centro de Convivência É de Lei revela que a ação policial na região da Cracolândia, em São Paulo, se intensificou durante a pandemia da covid-19.
O estudo também observou que serviços como as comunidades terapêuticas, com forte influência religiosa, têm dificultado a adoção de técnicas de redução de danos.
Para falar sobre os principais tópicos desta pesquisa, o Central do Brasil entrevistou a comunicadora e redutora de danos Ana Luiza Uwai. Ela falou sobre os diversos aspectos da pesquisa, em especial a força do “moralismo” como obstáculo para que o Estado adote a redução de danos como uma estratégia nos serviços de saúde e assistência social.
“A gente tem uma política de droga que é apenas proibicionista. Esse proibicionismo e esse moralismo impedem que a redução de danos seja de fato efetiva. O Estado tem muita dificuldade de enfrentar isso”, explicou.
Para a pesquisadora, o crescente investimento nas comunidades terapêuticas revela a influência política do segmento religioso dentro do Estado.
“Nos últimos anos, o investimento nas comunidades terapêuticas, que são ligadas muitas vezes a igrejas evangélicas, tem muito a ver com isso, até porque pessoas que estão na liderança destas comunidades também são pessoas que ocupam espaços de decisão dentro do governo”
Em contrapartida, a pesquisa captou que as pessoas que estão na Cracolândia preferem os serviços de redução de danos oferecidos por organizações não governamentais. Eles citam, entre outros motivos, a postura acolhedora e menos julgadora da equipe envolvida.
“Falar ‘não use drogas’ é uma coisa que não tem funcionado. A abstinência como única estratégia não funciona e não vai funcionar”, completou.
Na entrevista, Ana Luiza também falou sobre o avanço da especulação imobiliária na região e como este movimento tem favorecido políticas higienistas.
A entrevista completa com a pesquisadora você acompanha na edição desta sexta-feira(10) do programa Central do Brasil.