Espera-se que, nas próximas horas, os barcos que pertencem à Global Sumud Flotilha, que iniciaram hoje seu trecho final a partir do sul da Grécia, atravessem a zona onde foram interceptadas as últimas flotilhas. Eles têm o objetivo de levar ajuda humanitária a Gaza, onde Israel perpetua um genocídio televisionado contra o povo palestino, com dezenas de milhares de pessoas assassinadas, em particular mulheres e crianças. Neles embarcaram dezenas de pessoas em um grande ato de solidariedade e resistência.
Esta flotilha foi acompanhada por figuras de visibilidade internacional como Greta Thunberg, além de militantes de esquerda como nosso companheiro Bruno Gilga, da Rede Internacional do Esquerda Diário e membro do Sindicato dos Trabalhadores da USP, trabalhadores portuários, movimentos sociais e estudantes que levantam a consigna de que esta não é uma missão de caridade, mas sim uma ação de solidariedade política que exige o fim da ocupação e do apartheid.
O Estado de Israel está levando adiante um extermínio da população palestina na Faixa de Gaza, entre eles mais de 18 mil crianças. Assim como também a destruição quase total de lares, escolas, universidades e hospitais por meio dos bombardeios. Crimes que se aprofundam com uma fome brutal, resultado da política governamental de bloqueio total que paralisou a entrada de alimentos, água, combustível e medicamentos. Como efeito dessa medida, o número de caminhões e de ajuda humanitária que entravam diariamente foi reduzido.
Nas últimas semanas, somaram-se também as vítimas dos novos métodos israelenses de entrega de alimentos: as imagens mostram caixas de suprimentos sendo lançadas do céu, que depois caem diretamente sobre a população. Já são mais de 1.300 palestinos assassinados no momento em que buscavam comida.
A solidariedade com a Palestina pode se converter em uma escola de luta para colocar a juventude argentina em sintonia com as batalhas que acontecem em muitos lugares do mundo, vinculando as lutas locais contra a exploração e o ajuste a uma causa global pela libertação dos povos. Não é possível pensar em derrotar Milei e seu plano de neocolonialismo sem ser parte da luta anti-imperialista.
Na Argentina, como no resto do mundo, cada vez mais pessoas erguem sua voz contra o genocídio e vão às ruas em defesa dos direitos do povo palestino e para exigir um cessar-fogo na Faixa de Gaza, como ficou demonstrado nos dias 9 e 30 de agosto, nas marchas multitudinárias até a Casa Rosada. Dentro do Estado de Israel, também cresce o número de pessoas que começam a denunciar abertamente que o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio, ao mesmo tempo em que aumentam os protestos contra o governo de Benjamin Netanyahu.
O peronismo, que se coloca como oposição ao governo de Milei na Argentina e dirige uma quantidade importante de sindicatos e centros estudantis, continua mantendo um silêncio cúmplice diante do genocídio e não move um dedo para denunciar essas atrocidades e fazer parte do grande movimento internacional em apoio à causa palestina. Seus principais representantes continuam se recusando a falar em genocídio e não propõem a ruptura das relações com o Estado de Israel. A ponto de [o deputado federal peronista Leandro Santoro fazer parte do grupo parlamentar dos Amigos de Israel, e recentemente ter apresentado Israel como um modelo econômico a ser seguido. Mas não é um caso isolado: o prefeito peronista de Bahía Blanca também celebrou publicamente ter se reunido com o embaixador israelense.
Desde a esquerda levantamos essa bandeira desde o início, sem nenhuma especulação, no debate presidencial de dois anos atrás, quando Myriam Bregman foi a única candidata a se solidarizar corajosamente com a Palestina. Fomos parte de romper o cerco midiático no país e, junto à comunidade árabe, impulsionamos cada mobilização, que ganhou peso recentemente. Nossos companheiros Luca Bonfante e Patricio del Corro do PTS (partido irmão ao MRT) viajaram ao Egito como parte da delegação internacional da marcha global por Gaza, e hoje nosso companheiro Bruno Gilga e deputados da Frente de Esquerda argentina fazem parte da Global Sumud Flotilha. Um caso recente de perseguição é o do professor Federico Puy, secretário de imprensa do sindicato portenho Ademys e militante do PTS no Frente de Esquerda Unidade (FITU), que foi denunciado pelo chefe de Governo da Cidade de Buenos Aires, Jorge Macri, e pela ministra de Educação portenha, Mercedes Miguel.
Nesse contexto, desde a Rede de agrupações En Clave Roja, foram realizados “banderazos” e dezenas de intervenções artísticas em mais de 13 universidades nacionais do país, buscando o apoio de estudantes, docentes e funcionários não docentes.
Com Esquerda Diário