A prioridade estratégica do Estado francês é clara: a guerra para defender seus interesses estratégicos. Após apresentar com pompa a nova doutrina nuclear francesa na segunda-feira, Emmanuel Macron fez um discurso esta noite sobre a situação no Oriente Médio. Isso proporcionou ao chefe de Estado a oportunidade de intensificar sua retórica belicosa, proferindo um discurso brutalmente imperialista no qual justificou plenamente a guerra sangrenta lançada por Trump e Netanyahu contra o Irã e anunciou seu compromisso em defender os interesses da França e de seus principais aliados na região, as monarquias reacionárias do Golfo.
O Irã “tem a principal responsabilidade por esta situação”, começou Macron, referindo-se ao programa nuclear e à capacidade de mísseis balísticos do Irã, mas também ao seu apoio a “grupos terroristas em países vizinhos”. Este discurso alinhou-se totalmente com a propaganda de Trump, Netanyahu e Marco Rubio, acompanhado de uma referência completamente hipócrita ao “direito internacional” e à necessária “retomada das negociações diplomáticas”. Este flagrante alinhamento atlanticista contrasta fortemente com a oposição de Pedro Sánchez à guerra e com as hesitações de Keir Starmer, ambos duramente criticados por Trump na terça-feira.
Os objetivos de Macron são claros: apoiar seu aliado americano, defender os interesses franceses na região e se posicionar como o líder militar do Velho Continente, dando continuidade à “europeização” da dissuasão nuclear. Para tanto, mencionou o reforço da segurança das bases militares francesas na região, bem como o envio de uma fragata e equipamentos de defesa aérea para Chipre, cuja base britânica foi atingida por um ataque de drone nos últimos dias. Em relação ao Líbano, o presidente condenou o Hezbollah, ao mesmo tempo em que pediu respeito ao território de um país que o imperialismo francês continua a considerar seu protegido.
O mais importante é que o presidente francês confirmou o envio do porta-aviões Charles de Gaulle e seu grupo de ataque para o Mediterrâneo Oriental. Essa operação militar de grande escala, ostensivamente uma estratégia defensiva, visa equipar a França com os meios para apoiar a atual agressão imperialista. Nesse sentido, Macron mencionou especificamente a proposta de “formar uma coalizão” para “restabelecer e garantir o tráfego” no Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou em retaliação aos bombardeios imperialistas. Embora o presidente tenha declarado: “Não estamos em guerra”, tudo indica que a França está preparada para contribuir significativamente para a ofensiva atual ao lado de seus aliados, comprometendo-se também a defender os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Catar.
Nessas circunstâncias, a posição de Jean-Luc Mélenchon de apoiar “ações de proteção” sob a condição de que elas não “se tornem ações ofensivas” é escandalosa. Sob o pretexto de pedir um “cessar-fogo”, ela mascara o verdadeiro propósito da intervenção francesa, que visa a abocanhar algumas migalhas da operação e assegurar as posições do imperialismo francês na região. Ao contrário dessa postura, crítica na forma, mas complacente na essência, chegou a hora de denunciar frontalmente a guerra reacionária em curso, por meio da qual Trump e Netanyahu pretendem redesenhar o Oriente Médio eliminando um rival histórico, já sufocado por décadas de sanções imperialistas.
Enquanto a campanha de bombardeios continua por todo o Irã, matando quase 800 pessoas, incluindo mais de cem estudantes em Minab logo no primeiro dia da ofensiva, a única posição viável é alinhar-se incondicionalmente com as forças armadas iranianas, completamente independente do regime, e exigir firmemente a derrota da agressão imperialista. Da França, há uma necessidade urgente de construir uma forte mobilização anti-imperialista, dando continuidade à luta contra o genocídio em Gaza, com o qual a operação atual está intimamente ligada. Essa mobilização deve exigir claramente: o fim da agressão imperialista, a retirada das tropas francesas e americanas do Oriente Médio e a rejeição de qualquer atitude conciliatória em relação à agressão histórica em curso e às potências que a apoiam. Com RP