De acordo com o porta-voz Mahmud Bassal, pelo menos 20 casas foram destruídas nos bombardeios noturnos. Ele alertou que “a situação é muito grave na Cidade de Gaza”, denunciando que as equipes de resgate sequer conseguem chegar a todos os locais atingidos devido à presença de tanques e à continuidade dos ataques.
A ofensiva segue tendo alvos os civis em áreas residenciais e acampamentos de refugiados. O Hospital Batista de Gaza informou ter recebido ao menos quatro mortos após a destruição de uma casa no bairro Tuffah. Em Khan Younis, o Hospital Nasser confirmou a morte de duas crianças e oito feridos após um drone israelense atacar uma tenda em um campo de deslocados internos.
A agressão militar também foi acompanhada de um comunicado do exército israelense advertindo os palestinos, em árabe, a não retornarem para a Cidade de Gaza. “As tropas das IDF ainda estão operando na Cidade de Gaza, e retornar para ela é extremamente perigoso”, afirmou o coronel Avichay Adraee, porta-voz militar. Trata-se de uma clara política de deslocamento forçado e terror permanente sobre a população civil palestina. Na semana passada, Israel declarou que irá tratar como terroristas os que permanecerem na cidade.
Além dos bombardeios a bairros residenciais, o cerco sionista voltou-se contra campos de refugiados e até mesmo áreas próximas à sede da UNRWA — a agência da ONU para os refugiados palestinos. Segundo relatos da mídia palestina, os campos de Nuseirat e Maghazi, no centro da Faixa de Gaza, foram bombardeados por artilharia pesada. A Al-Aqsa TV informou também que a Rua Al-Nafaq e o bairro Tuffah foram alvos simultâneos de ataques aéreos e terrestres. A intensidade e abrangência dos bombardeios revelam o caráter genocida da campanha israelense, que visa destruir qualquer possibilidade de vida e resistência nos territórios palestinos.
Esse morticínio segue com ímpeto total por parte de Israel enquanto se discute o mal chamado “Plano de Paz” proposto por Donald Trump e Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel. Com aplausos de todas as principais potencias imperialistas, países árabes, inclusive países como o Brasil, o plano visa impor um “Ministério das Colônias” na Palestina, colocando a sobre controle direto dos EUA, do Reino Unido e dos países árabes aliados do Ocidente.
Um plano que não tem nada de paz, mas de colonização e negação completa da autodeterminação Palestina, discutido enquanto as bombas caem sobre Gaza, enquanto as colônias e a repressão se espalha na Cisjordânia.
Após o Hamas dizer ter aceito este plano, com elogio da ONU, governos europeus e árabes, Trump disse que eles estão prontos para a paz e “ordenou” Israel a parar os bombardeios. Não pode ser levada a sério. Este plano visa criar uma justificativa para um aprofundamento ainda maior do genocídio, como prometeu Israel em caso de recusa do Hamas. Durante seu mandato, Trump foi um dos principais estimuladores e os EUA patrocinaram a expansão colonial sionista, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel e a anexação ilegal das Colinas de Golã. A paz que propõem é a paz dos cemitérios, que legitima o apartheid, a ocupação militar e a negação do direito a autodeterminação do povo palestino.
Somente a força da mobilização é capaz de deter Israel de exterminar a Palestina e seu povo. A resistência palestina vem crescendo junto a solidariedade internacional, que com a Global Sumud Flotilha contaminou ainda mais a revolta contra o genocídio de setores da juventude e de trabalhadores. Nesta sexta-feira, 3, uma nova greve geral histórica na Itália, ainda maior que a do dia 22 de Setembro, parou tudo com 2 milhões de pessoas nas ruas, unindo estudantes e trabalhadores de diferentes categorias. Na França, em Barcelona, na Grécia e em Lisboa também acontecem greves e manifestações massivas em rechaço ao genocídio e pela liberdade dos ativistas da Flotilha sequestrados por Israel.
Essa luta está no coração da luta anti-imperialista do mundo hoje. Barrar o genocídio e impor a liberdade dos ativistas da Flotilha é a tarefa da luta neste momento. Uma luta que deve exigir a ruptura das relações dos governos com Israel e defender a auto-determinação palestina contra o Plano de Paz colonialista e reacionário, defendendo uma Palestina Livre do Rio ao Mar.
Com Esq Diário