Israel matou mais de 100 palestinos desde que o Hamas concordou na sexta-feira em libertar todos os cativos como parte do mais recente plano de cessar-fogo dos Estados Unidos, e as negociações de trégua começarão na segunda-feira, no Egito.
Fortes bombardeios abalaram a Faixa de Gaza durante o fim de semana, com relatos de ataques a bairros residenciais, campos de refugiados e pontos de distribuição de ajuda.
Moradores da cidade de Gaza também relataram o uso de bombas de barril [características de ações terroristas] lançados de veículos controlados remotamente contra casas no bairro de al-Jalaa e outras áreas.
O Escritório de Mídia do Governo, com sede em Gaza, informou que pelo menos 94 pessoas morreram no sábado e domingo. Pelo menos mais sete morreram na manhã de segunda-feira, segundo a mídia local.
As forças israelenses realizaram 131 ataques aéreos e de artilharia em áreas densamente povoadas da Faixa durante o fim de semana, acrescentou o escritório de imprensa.
Desde o início do genocídio em Gaza, as forças israelenses mataram pelo menos 67.160 palestinos, incluindo mais de 20.000 crianças. Outras 9.500 pessoas estão desaparecidas e são presumidas mortas, segundo informou o Escritório de Imprensa do Governo de Gaza.
Na segunda-feira, um ataque à Escola Ortodoxa Grega — também conhecida como Escola al-Rum — no bairro Tal al-Hawa da cidade de Gaza matou e feriu vários palestinos deslocados, incluindo crianças.
Também houve relatos de bombardeios ao sudoeste de Khan Younis, no sul de Gaza, perto de um centro de distribuição de ajuda, onde civis haviam se reunido para receber assistência.
Um palestino morreu de desnutrição na segunda-feira, elevando o número de mortos pela fome imposta por Israel para pelo menos 460.
Negociações de cessar-fogo no Cairo
Os ataques crescentes ocorrem apesar de o presidente americano, Donald Trump, ter ordenado na sexta-feira a Israel que “pare imediatamente os bombardeios em Gaza”, depois que o Hamas aparentemente concordou parcialmente com o plano de paz apresentado pela Casa Branca na semana passada.
O grupo palestino aceitou libertar todos os cativos israelenses sob as condições descritas na proposta de 20 pontos, mas não esclareceu sua posição sobre outros termos do plano, incluindo o desarmamento e a proposta de participação de tropas estrangeiras em Gaza.
Uma delegação do Hamas liderada pelo principal negociador Khalil al-Hayya chegou ao Egito no domingo antes de iniciar discussões mais detalhadas sobre o plano.
A rádio estatal israelense informou que o chefe da delegação israelense e dois enviados americanos não participarão das conversas de segunda-feira em Sharm el-Sheikh; espera-se que se juntem às discussões já na terça-feira.
Enquanto isso, o chefe militar israelense, Eyal Zamir, disse no domingo que não há cessar-fogo neste momento, mas sim uma “mudança na situação operacional”.
“Dois anos atrás, testemunhamos o acontecimento mais difícil de nossa história e não temos intenção de voltar aos dias anteriores a 7 de outubro de 2023”, disse Zamir, referindo-se aos ataques liderados pelo Hamas.
“Estamos mudando a realidade em todo o Oriente Médio, em todas as frentes. Não estamos nos contendo; atacamos e destruímos o inimigo em todas as frentes.”
Com Esq Diário