Nesse cenário, Israel quer avançar mais uma etapa em sua política de repressão e apartheid contra o povo palestino na Cisjordânia. Sob a gestão do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir — conhecido por suas posições abertamente racistas e ultranacionalistas — foi aprovada a criação de uma nova prisão destinada exclusivamente a trabalhadores palestinos que entram em território ocupado sem autorização.
A prisão, inédita em sua proposta, marca uma mudança brutal na forma como o regime sionista trata esses trabalhadores: eles deixarão de ser classificados como “infratores criminais” e passarão a ser considerados “detentos de segurança”, uma tipificação que, na prática, os transforma em prisioneiros políticos por exercerem o direito elementar de buscar sustento para suas famílias em seu território histórico.
A nova unidade prisional já está em fase de implementação, segundo declarou o comissário do Serviço Prisional de Israel (IPS), Kobi Yaakobi. A medida foi divulgada pelo jornal israelense Yedioth Ahronoth e representa uma intensificação das políticas contra o que o governo chama de “fenômeno da infiltração” — uma expressão racista usada para descrever palestinos que tentam trabalhar dentro do território ocupado de 1948, onde os salários são mais altos, ainda que sob risco constante de prisão, espancamento ou assassinato.
Essa ofensiva ganhou força após um ataque ocorrido em setembro deste ano, em Jerusalém, onde seis israelenses morreram. Como resposta, o regime usou o episódio como justificativa para ampliar ainda mais a repressão coletiva contra toda uma população e os seus planos de ocupação total anexação da Cisjordânia. A nova prisão aprovada por Ben-Gvir é mais uma peça desse aparato de apartheid em meio a uma crescente repressão e aprisionamento de palestinos nessa região palestina.
De acordo com dados das próprias autoridades israelenses, mais de 665 mil veículos foram inspecionados desde o início do ano, levando à detenção de 542 palestinos sem autorização de entrada. Outros 107 foram baleados ao tentar atravessar a fronteira ou o muro de separação. Cerca de 2.500 palestinos já estão presos sob acusações criminais ligadas ao ingresso não autorizado, mas esse número tende a crescer rapidamente com a nova diretriz, que endurece as penas desde a primeira ocorrência.
Em paralelo, o governo anunciou planos para ampliar em 3.500 o número de vagas no sistema prisional até outubro de 2026 e estuda a criação de mais uma prisão na região de Sorek, no centro de Israel. Tais medidas se inserem numa lógica de militarização das relações de trabalho, onde a busca por emprego é tratada como ameaça à “segurança nacional”.
O objetivo não é apenas prender, mas tornar a sobrevivência da classe trabalhadora palestina insuportável. Os que têm permissão de entrada enfrentam horas em postos de controle militar, humilhações sistemáticas e um cotidiano de insegurança absoluta.
Após o 7 de outubro de 2023, o governo israelense congelou mais de 150 mil permissões de trabalho, aprofundando a crise econômica já devastadora na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Sem alternativas, milhares de palestinos continuam tentando entrar em território ocupado, enfrentando a ameaça constante da prisão e da violência armada, obrigados a dormir em galpões abandonados, em terrenos baldios ou sob árvores, apenas para manter seus empregos e alimentar suas famílias.
Enquanto isso, Israel intensifica sua ocupação militar na Cisjordânia por meio de incursões armadas, sequestros e terror policial. Na madrugada desta segunda-feira, uma nova operação militar foi lançada em várias cidades e campos de refugiados. As forças de ocupação prenderam dezenas de pessoas, incluindo ex-prisioneiros políticos, jovens e crianças. Em Nablus, os jovens Qassem Qandeel e Abd Abu Hadrus foram levados após terem suas casas invadidas.
Em Jenin, Salah Ibrahim Shaban foi detido, e em Yamun, o ex-prisioneiro Iyad Jaradat foi reencarcerado. Aysar Jihad Al-Masri foi preso na cidade de Aqaba, ao norte de Tubas. Em Jericó, três membros de uma mesma família foram levados do campo de Aqbat Jabr. Também houve incursões em Beit Ummar, ao norte de Hebron, e em Jayyous, a leste de Qalqilya. Em Hebron, um jovem ficou ferido após ser agredido pelos soldados. Em Dhahiriya, o exército disparou munições reais e bombas de gás, enquanto em Beit Ummar um jovem e seu pai foram espancados e uma criança foi detida sem identificação.
Essas operações fazem parte de uma política sistemática de repressão e intimidação, que visa quebrar a resistência do povo palestino por meio do medo e do encarceramento em massa. São ações realizadas com total impunidade, sustentadas pela cumplicidade das potências imperialistas e pela paralisia das instituições internacionais. Israel age com a certeza de que não será punido, transformando a Cisjordânia em um enorme campo de concentração a céu aberto, onde a prisão, a tortura e a morte fazem parte do cotidiano. A recente proposta de “Plano de Paz” de Donald Trump e Netanyahu visa selar a impunidade essas ações e as mais de 66 mil mortes registradas.
Diante disso, é urgente fortalecer a solidariedade internacional com o povo palestino, exigindo a libertação imediata de todos os prisioneiros palestinos e o fim das políticas de encarceramento em massa. A luta dos trabalhadores palestinos está no coração da luta internacional contra o imperialismo, o sionismo e o capitalismo. Liberdade aos 10 mil presos palestinos! Abaixo o apartheid israelense! Por uma Palestina livre do rio ao mar!
Com Esquerda Diário