Trump voltou a ameaçar destruir a infraestrutura civil e energética do Irã caso o país não libere completamente o estreito de Ormuz até a noite de terça-feira. O comando militar central do Irã advertiu sobre uma retaliação “muito mais devastadora” e de alcance internacional. Antecipando-se, Israel atacou na última segunda-feira(06) a planta petroquímica de South Pars, no Irã. Em meio às ameaças, surgem novos rumores de uma negociação para estabelecer um cessar-fogo de 45 dias.
Enquanto aguarda o fim do ultimato de Trump (“toda uma civilização morrerá esta noite”) e enquanto os ataques contra a infraestrutura produtiva e econômica do país já estão em andamento, Teerã divulga nas redes sociais e na televisão imagens de pontes e usinas nucleares com iranianos que, em resposta ao chamado do regime, foram convocados a atuar como escudos humanos. Os vídeos incluem a usina elétrica de Kazeroun e uma ponte em Ahvaz.
O Estado sionista de Israel inicia ataques
Israel já iniciou ataques contra a infraestrutura civil após ameaçar os iranianos para que evitem viajar de trem. Uma ponte ferroviária na cidade de Kashan, no centro do Irã, foi um dos primeiros alvos bombardeados na terça-feira, segundo a mídia estatal iraniana. Ao que tudo indica, duas pessoas morreram, enquanto o exército israelense anunciou o lançamento de “uma onda de ataques em larga escala contra dezenas de infraestruturas”.
De acordo com a mídia iraniana, uma ponte sobre uma linha férrea perto de Karaj, ao noroeste de Teerã, foi atingida por um ataque. Além disso, foram registrados cortes de energia na mesma cidade após o bombardeio de uma subestação e de linhas de transmissão. Também foram relatados ataques contra pontes próximas a Qom e Tabriz.
Os Estados Unidos também atacaram 50 alvos militares na ilha iraniana de Kharg, onde se encontra seu principal terminal de exportação de petróleo, em um contexto de forte escalada dos ataques contra o Irã, pouco antes do prazo das 20h (horário do leste dos EUA) estabelecido pelo presidente americano.
Trump ameaçou devastar nesta terça-feira à noite (horário do leste) usinas elétricas, plantas de dessalinização, instalações petrolíferas e pontes caso o Irã não reabra o estreito de Ormuz — uma rota-chave para o transporte de petróleo — antes das 20h (horário do leste). Na manhã de terça-feira, ele advertiu em sua rede social Truth Social que “toda uma civilização morrerá esta noite” caso não haja acordo.
Em uma publicação, ele disse:
“Esta noite morrerá toda uma civilização, para nunca mais voltar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma mudança total de regime, onde prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer — quem sabe? Esta noite viveremos um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. Quarenta e sete anos de extorsão, corrupção e morte chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”
Além disso, Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com a possibilidade de cometer crimes de guerra. “Sabem o que é um crime de guerra? Possuir uma arma nuclear”, declarou.
Israel e Estados Unidos já atacaram 17 alvos civis na manhã de terça-feira, segundo informou a Meia-Lua Vermelha iraniana, em ações que a organização humanitária denunciou como crimes de guerra. Em um comunicado publicado no X, a Meia-Lua Vermelha iraniana afirmou que não há qualquer justificativa para atacar civis indefesos e que fazê-lo constitui um crime de guerra.
Segundo a agência de notícias Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), cerca de 3.600 iranianos morreram nos ataques dos Estados Unidos e de Israel desde o início da agressão imperialista, incluindo pelo menos 1.665 civis, dos quais 248 eram crianças.
Paralelamente ao ultimato considerado criminoso de Trump, ambas as partes participam de negociações de última hora, segundo autoridades de Islamabad, no Paquistão, que atua como intermediário nas negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã. Até segunda-feira, os Estados Unidos exigiam a abertura imediata do estreito de Ormuz em troca de um cessar-fogo de 45 dias, proposta rejeitada pelo Irã, que exige um cessar-fogo total e definitivo.
O portal de notícias americano Axios informou que a equipe negociadora de Trump, composta pelo vice-presidente J.D. Vance, Witkoff e o assessor Jared Kushner, considera que deveria tentar chegar a um acordo. No entanto, acrescentou que Israel e líderes da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos pressionam o presidente americano a não aceitar um cessar-fogo. Também citou um funcionário dos EUA que afirmou: “O presidente é extremamente sanguinário, como um cão raivoso”. Com Esq Diário