O assassinato deliberado, direto ou indireto, de indivíduos fora de qualquer enquadramento legal já foi descrito como método sionista. O número aproximado de mortos na Palestina já ultrapassa 66 mil pessoas, além de mais de 168 mil feridos desde o início do conflito. Mas tirar vidas não é o único mecanismo utilizado na política de cerco e sufocamento da população de Gaza e da Cisjordânia, perseguições e prisões também fazem parte de projeto de extermínio.
No dia de hoje, foi noticiado pela rede de notícias Quds, a invasão a casa do ativista pacifista palestino Issa Amro pelas forças de ocupação israelenses, na área de Tel Rumeida, em Hebron, Cisjordânia ocupada, e prendeu o ativista Mohammed Al-Natsha que estava na casa. A Quds New Network, através da rede social X, postou os vídeos das câmeras de segurança da residência e também relatou que, após a invasão, a casa foi fechada e declarada uma zona militar.
Issa Amro é o cofundador e ex-coordenador (2007–2018) do grupo de base Youth Against Settlements, defensor do uso de ações de resistência não violentas e de desobediência civil para enfrentar a ocupação e o apartheid israelense na Palestina. Atualmente, é alvo de 18 acusações falsas por parte das forças de ocupação sionista contra ele. Foi preso em setembro de 2017 pela Autoridade Palestina (AP), que controla a região da Cisjordânia, por usar o Facebook para criticar a AP pela prisão de um jornalista.
Fato muito semelhante ao ocorrido em maio de 2025, quando colonos acompanhados de soldados também invadiram a residência de Amro em retaliação por sua participação em um documentário da BBC. Toda essa situação revela coma a população palestina vive em infinitas formas de opressão. Exemplos de incursões são eventos recorrentes nas regiões ocupadas, junto a conflito pelas terras e acusações de violação dos direitos humanos por parte de Israel.
Mas não há com o que se surpreender, essa é a centralidade da perspectiva ideológica do sionismo. Um parlamentar sionista, Nissim Vataru, recentemente defendeu que seria ideal a expulsão dos palestinos da Cisjordânia. Uma figura representante de bases partidárias que defendem abertamente a limpeza étnica dos palestinos, ou como gostam de chamar: “transferência voluntária”.
Os colonos sionistas tem avançado na sua colonização da região da Cisjordânia, com sua tática de abertura de estradas e criação de assentamentos, mas também em base a muita repressão apoiada pelas Forças de Ocupação Israelenses (IDF). Os colonos tem atacado famílias palestinas com espancamentos e invasões de casas, como aconteceu com um grupo de civis que foi atacado a tiros enquanto prestavam homenagens a um homem assassinado também por colonos há algumas semanas.
Hoje, mais de 10 mil palestinos já estão encarcerados nas masmorras do regime sionista na Cisjordânia, a maioria sem julgamento, entre mulheres e crianças, assim como ativistas políticos, todos considerados “terroristas” sem provas. Sob a gestão do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi aprovada a criação de uma nova prisão destinada exclusivamente a trabalhadores palestinos que entram em território ocupado sem autorização, inédita em seu tipo.
Até mesmo representantes políticos na Cisjordânia vem sendo alvo de prisões arbitrárias. Recentemente, o prefeito de Qarawat Bani Hassan foi preso por tropas israelenses. Outros políticos também foram presos nesta ação: Amin Abu Alia, presidente da Câmara de Al-Mughayyir, Tayseer Abu Sneineh, prefeito de Hebron, Nafiz Hammoudeh, prefeito de Qubeiba e Abul Fattah Abu Ali, prefeito de Silat al-Zahar, além do ataque ao prefeito de Beita, Mahmoud Barham e o vereador Jamil Dweikat em Habal Qamas.
Esse nível de perseguição e morte também atinge membros de grupos que atuam como ajuda humanitária. Em nota, 26 de setembro, a organização humanitária internacional de Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que foi forçada a suspender atividades em Gaza em meio à intensificação dos ataques israelenses. Diante do cenário de rápida deterioração da situação de segurança, que incluía ataques aéreos e tanques de guerra israelenses avançando em direção das instalações das equipes de saúde. Essa estratégia do governo de Israel visa impedir qualquer ajuda humanitária internacional que tenta frear o ritmo de morte que é aplicado, dessa forma, impõe um nível inaceitável de risco aos médicos que são obrigados a paralisarem os serviços na região.
“Não tivemos escolha a não ser interromper nossas atividades, pois nossas clínicas estão cercadas pelas forças israelenses. Essa é a última coisa que queríamos, já que as necessidades na Cidade de Gaza são enormes, com as pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como bebês em cuidados neonatais; pessoas com ferimentos graves e doenças fatais, incapazes de se mover e em grave perigo”, relata Jacob Granger, coordenador de emergência de MSF em Gaza.
Os jornalistas também são alvos nessa caçada, peça fundamental no processo de divulgação dos acontecimentos do genocídio e inimigo nº1 de Israel na “guerra de narrativas”, que também pode ser chamada de disseminação de fake News. O Sindicato de Jornalistas Palestinos estima que o exército israelense assassinou mais de 246 profissionais desde o dia 7 de outubro de 2023, 520 foram feridos por balas ou mísseis e 800 familiares de profissionais foram mortos.
Através de pesquisas a Universidade de Brown (EUA), no Projeto Custos da Guerra, conclui que a guerra em Gaza “é, simplesmente, o pior conflito de todos os tempos para repórteres”. Para efeito de comparação, o estudo comenta que somados morreram menos jornalistas na Primeira e Segunda Guerra mundial, na guerra civil dos EUA, na guerra do Vietnã, do Camboja, do Laos e na Guerra da Ucrânia.
A perspectiva da denúncia da invasão da casa do Issa Amro, assim como os exemplos de atuação do exército de Israel, foi para demonstrar o caráter político das forças israelenses e como atuam de maneira que oferece cobertura armada para ataques, incursões em territórios palestinos, demolição de casas e bases hospitalares, prisões de ativistas políticos e proteção a colonos que expulsam moradores palestinos da própria residência. Fazem isso com a premissa da impunidade, garantida pelo imperialismo norte-americano, europeu, e de todos os governos cúmplices de Israel.
Pela Liberdade de todos os presos na Cisjordânia! Fim do Estado de apartheid de Israel, Palestina Livre do Rio ao Mar!
Com Esq Diário