A guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã continua colocando em xeque os mercados internacionais: o preço do petróleo alcançou nas últimas horas seu valor mais alto dos últimos três anos, acendendo os alarmes entre os grandes agentes financeiros e econômicos e impactando diretamente o bolso de bilhões de pessoas em nível global.
As bolsas da Coreia do Sul e do Japão começaram a jornada desta segunda-feira com fortes quedas, depois que o barril de petróleo norte-americano de referência superou a barreira dos 100 dólares, alcançando seu valor mais alto em mais de três anos e meio. Um efeito imediato da escalada na cotação é o temor de que o fornecimento de energia proveniente do Oriente Médio seja interrompido à medida que aumentam os riscos para o transporte marítimo no estreito de Ormuz, uma zona chave para o comércio mundial de petróleo. Isso provoca uma reação em cadeia nas finanças internacionais.
Na noite de domingo o petróleo superava os 117 dólares, um preço que não se via desde 2012. Ao mesmo tempo, como costuma acontecer, a incerteza geopolítica provoca que outras commodities apresentem aumentos. Nas últimas horas o óleo de soja subiu 4%, o trigo 0,69%, o milho 1,52% e o alumínio, diante de uma possível escassez de oferta, subiu a máximos não vistos desde 2022. O dólar, paralelamente, sobe como “ativo de refúgio”.
O preço do petróleo subiu mais de 25%, chegando a superar nesta segunda-feira os 120 dólares por barril. Assim, as bolsas asiáticas sentiram o impacto: a de Seul despencou mais de 8%; a de Tóquio caiu mais de 7% e a de Taipé mais de 5%. O mesmo aconteceu nos mercados de Hong Kong, Xangai, Sydney, Singapura, Manila e Wellington, onde também foram registradas quedas importantes.
Nas primeiras horas, os preços futuros do petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) chegaram a disparar mais de 30%, atingindo 119,48 dólares por barril, o valor mais alto desde julho de 2022. Depois, o preço se acomodou um pouco e ficou em torno de 102 dólares. Na sexta-feira já havia subido 12% e, na última semana, o aumento gira em torno de 36%.
O Brent, que é a referência internacional, também não ficou atrás: saltou 27,54% e chegou a 119,50 dólares por barril nas primeiras horas de segunda-feira, embora depois tenha recuado e fosse negociado perto de 105 dólares. Na semana passada já havia subido quase 28%.
Cada vez que o barril sobe, disparam os custos de transporte, produção e energia, afetando desde o preço dos alimentos até a tarifa do transporte público.
A reação nos mercados reflete que, por trás de cada aumento do petróleo, existe uma cadeia de consequências: desvalorizações cambiais, ajustes e mais pressão sobre os salários. Enquanto isso, os grandes especuladores aproveitam a volatilidade para fazer negócios, enquanto o povo trabalhador paga as consequências de uma economia global atrelada aos interesses das potências imperialistas e das multinacionais energéticas. Com ESQ DIÁRIO