Não deixa de ser simbólico, a gestão que manda bater em trabalhador é a mesma que vai placidamente usufruir de descanso, champanhe, caviar e sabe-se lá que regalias tem do alto de seus salários e jetons (gratificação em dinheiro paga a membros de órgãos colegiados). A ausência de Magda em meio a repressão policial, judicial e a intransigência negocial escancara o que é a gestão dessa empresa. A Petrobras tem uma gestão que parece estar fazendo carreira para ir pra Shell, Chevron ou qualquer gigante imperialista agressiva com os trabalhadores e meio ambiente. Não escutam, reprimem, assediam quem constrói a empresa todos os dias, e são um amor com os acionistas, vão de passeio pros mesmos resorts dos acionistas e querem a cacetete e assédio a “normalidade” exigida pelo mercado.
Magda Chambriard tem história, é ex-petroleira e ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, foi escolhida pelo governo Lula-Alckmin justamente por seu histórico de confiança do capital. Presidiu a ANP entre 2012 e 2016, período marcado por uma avalanche de leilões de petróleo, superada apenas nos anos do governo Bolsonaro. Foi sob sua gestão que ocorreu o Leilão de Libra, quando 60% do primeiro campo do pré-sal foi entregue ao imperialismo.
Esse leilão não passou sem resistência. Em 2013, petroleiros enfrentaram a venda de Libra com greve nacional e mobilizações. A resposta do governo Dilma foi repressão. A Força Nacional de Segurança e a Marinha foram enviadas à Barra da Tijuca para garantir o leilão e conter os grevistas que exigiam que o campo fosse 100% Petrobras. Esse episódio resume bem o tipo de “diálogo” que marca a trajetória de Magda com os trabalhadores. Suas credenciais são de profundo entreguismo.
Ao mesmo tempo em que sempre defendeu a abertura do setor ao capital privado, Magda construiu um discurso de “desenvolvimento nacional” associado a investimentos em estaleiros e refinarias. Uma combinação conhecida. Emprego aparece no discurso, mas a precarização aparece na realidade. Quem viveu as obras do PAC sabe. Muitos postos de trabalho, salários rebaixados, jornadas extenuantes e acidentes fatais. O sangue operário marcou esse modelo, como no caso dos trabalhadores mortos na construção do gasoduto da Estação da Mantiqueira, da Transpetro.
Durante sua passagem pela ANP, Magda também se notabilizou por elogios públicos a grandes bilionários “nacionalistas”, como Eike Batista, cujos projetos eram constantemente exaltados enquanto suas ações disparavam. Naquele período, seu braço direito na agência caiu após denúncias ligadas ao escândalo dos Panama Papers. Nada disso impediu sua ascensão.
Esse histórico ajuda a entender decisões recentes da Petrobras, como o comunicado de que só cumpriria exigências do Ibama na Foz do Amazonas caso encontrasse petróleo. Trata-se de um ataque direto aos direitos dos povos indígenas e ao meio ambiente, em linha com a política extrativista e autoritária que combina discurso desenvolvimentista com saque dos bens naturais.
Lembremos que a direção sindical burocrática da FUP correu para elogiar Magda quando assumiu a presidência, repetindo o papel de colaboração que sempre desempenhou em gestões petistas. Mais uma vez, fica claro que os petroleiros não podem confiar nem no governo Lula nem na direção da empresa.
Os petroleiros só podem confiar em sua própria força. A greve nacional cresce apesar da repressão, da criminalização e do silêncio cúmplice da gestão. É essa organização independente, pela base, que pode enfrentar o saque imperialista, defender os direitos da categoria e apontar outra relação com o meio ambiente e com as estatais.
A greve dos petroleiros vai fazer Magda se arrepender de mais essa provocação!
Com Esq Diário