Greta Thunberg disse a funcionários suecos que está sendo submetida a um tratamento severo sob custódia israelense após sua detenção e expulsão de uma flotilha que transportava ajuda para Gaza, informou o jornal britânico The Guardian depois de ter acesso a informações do governo sueco, país de origem da jovem.
Em um e-mail enviado pelo Ministério das Relações Exteriores da Suécia à família de Thunberg, um funcionário que a visitou na prisão relatou que ela “estava detida em uma cela infestada de percevejos, com muito pouca comida e água”.
“A embaixada conseguiu se reunir com Greta”, diz o e-mail. “Informou que está desidratada. Recebeu quantidades insuficientes de água e comida. Também afirmou que desenvolveu erupções cutâneas que suspeita terem sido causadas por percevejos. Falou sobre maus-tratos e disse que ficou sentada por longos períodos sobre superfícies duras”, afirma The Guardian.
Greta está entre os 437 ativistas, parlamentares e advogados que fazem parte da Flotilha Global Sumud (GSF), uma coalizão de mais de 40 barcos que transportavam ajuda humanitária para Gaza e que foram apreendidos nesta quarta-feira por forças israelenses. Entre eles estão os argentinos Celeste Fierro (MST-FITU), Ezequiel Peressini (IS-FITU) e Carlos Bértola, além de brasileiros como Thiago Ávila, Bruno Gilga, a deputada federal Luizianne Lins, a vereadora de Campinas (SP) Mariana Conti e outros 12.
A maioria foi detida em Ketziot, uma prisão de segurança máxima localizada no deserto de Neguev, usada principalmente para encarcerar prisioneiros palestinos. Alguns já começaram a ser transferidos para deportação a seus países. Entre os primeiros estão ativistas turcos, italianos e norte-americanos.
Segundo a ONG Adalah, os direitos dos tripulantes foram “sistematicamente violados”, denunciando que os ativistas foram privados de água, saneamento, medicação e acesso imediato a seus representantes legais, “em clara violação de seus direitos fundamentais ao devido processo, a um julgamento justo e à representação jurídica”.
Vale lembrar que, durante uma visita à prisão na noite de quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional de extrema direita de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi filmado chamando os ativistas de “terroristas” diante deles.
Nessas prisões, há centenas de palestinos detidos sem qualquer tipo de processo judicial, acusados de “terrorismo” pelo Estado de Israel, que continua a cometer genocídio em Gaza.
Com Esq Diário