A empresa é uma das poucas mineradoras de estanho no mundo a possuir a própria mina, sendo proprietária da Mina de Pitinga, uma das maiores áreas de mineração da Amazônia. A empresa conseguiu o território em 1982 depois que o Governo Federal reduziu a terra indígena local em 5326 mil hectares em favor dos capitalistas. Hoje, a Taboca é uma gigante no fornecimento de estanho no mundo, extraído da Amazônia e refinado em Bom Jesus (SP).
O igarapé que Alimenta o rio Alalaú, principal rio da terra indígena Waimiri Atroari está contaminado com chumbo e arsênio, além de outros compostos perigosos segundo uma análise fela pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório produzido pelos técnicos da Funai fizeram a justiça retomar uma investigação que já dura 5 anos sobre a relação entre mineração e poluição na região.
A Taboca afirma que “não há evidências que indiquem nexo de causalidade”entre a contaminação do Alalaú e seus mais de 40 anos de mineração na região. Além do estanho, a mineradora também faz produtos de tântalo e nióbio, e são reconhecidos no mercado internacional com certificações de mineração responsável.
Para que seus minerais chegassem até a Tesla foi preciso toda uma cadeia logística internacional que começou em Presidente Figueiredo (AM), cidade onde fica a Mina de Pitinga, foi à Bom Jesus (SP) para ser refinado e convertido em ligas metálicas e depois foi enviado à Eslováquia pelo porto de Santos (SP), comprados pela U-Shin Slovakia S.R.O. A empresa fabrica peças automotivas como fechaduras, maçanetas e painéis solares comprados pela Minebea Mistumi Inc, do Japão.
Entre março de 2023 e novembro de 2025 a empresa enviou 17 carregamentos de peças elétricas para a Tesla, provavelmente usando o estanho brasileiro.
A Toyota é outra grande comprado da Taboca, tendo importado 150 toneladas de estanho entre maio de 2022 e julho de 2023.
Mundialmente, a Taboca é reconhecida como responsável e possui grande valorização no mercado de mineração. O mineral e o tântalo da empresa estão em conformidade com as diretrizes da Responsible Minerals Initiative, iniciativa global de empresas e organizações que supostamente promovem práticas responsáveis no setor predatório e violento das minerações.
Neste momento existem 62 requerimentos minerários de 31 empresas para exploração de minérios críticos – essenciais para a indústria bélica, transição energética e novas tecnologias – na terra indígena Waimiri Atroari; 33 delas foram protocoladas nos últimos 6 anos.
Essa sede dos capitalistas em destruir as terras indígenas se dá no marco do aumento de políticas públicas de fomento à extração dos minérios críticos. Em junho de 2025 o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou um edital de R$5 bilhões de reais para 53 mineradoras.
O governo Lula não é um aliado das comunidades tradicionais em sua luta contra o avanço violento das mineradoras, petrolíferas e dos ruralistas. O Arcabouço Fiscal, política econômica do seu governo, retira bilhões dos orçamentos de serviços essenciais como saúde, educação, habitação e serviço social para entregar nas mãos dos capitalistas por meio do Plano Safra, das privatizações dos serviços públicos e do fomento ao extrativismo.
É preciso barrar a barbárie capitalista que aprofunda a crise climática que ele mesmo criou. Mas, esse basta não virá dos governos conciliadores da América Latina que entregam nossas riquezas para o capital norte americano, europeu e chinês: virá da força da classe trabalhadora em aliança com os povos tradicionais e todos os setores oprimidos, com independência das burocracias sindicais, dos patrões e governos. Com Esq Diário