Esta é uma matéria traduzida do Left Voice, integrante da rede internacional do Esquerda Diário, correpondente da CRP-QI nos EUA.
Na segunda feira (12/01) aproximadamente dezesseis mil enfermeiros do setor privado, filiados à Associação de Enfermeiros do Estado de Nova York (NYSNA), entraram em greve em diversos hospitais da cidade de Nova York, incluindo o NY Presbyterian, o Montefiore e o Mount Sinai. Esta vem sendo a maior greve de enfermeiros da história da cidade.
Os enfermeiros estão lutando por um contrato justo que inclua aumentos salariais, benefícios de saúde garantidos, aposentadoria, padrões de dimensionamento de pessoal adequados (conquistados há três anos, mas ainda não implementados) e proteção real contra a violência no local de trabalho. Essas reivindicações não são abstratas. Em hospitais por toda a cidade, os enfermeiros prestam cuidados a pacientes cada vez mais doentes em proporções inseguras, sobrecarregados além do que é humano ou seguro para qualquer pessoa. Os enfermeiros não estão lutando apenas por si mesmos — estão lutando por todos os nova-iorquinos que dependem de cuidados seguros e dignos.
A direção do hospital se beneficia dessa crise. Ela coloca enfermeiros sobrecarregados uns contra os outros, enquanto os pacientes sofrem e os executivos protegem os lucros. Em meio a um dos piores surtos de gripe da história recente, os executivos hospitalares estão mais dispostos a usar os pacientes como moeda de troca do que a atender às demandas básicas dos enfermeiros. Os enfermeiros, no entanto, se recusam a tolerar esse tratamento, e devemos nos unir em apoio a eles.
Esta greve também ocorre num contexto político mais amplo. À medida que a direita sob Trump continua seus ataques à saúde, à infraestrutura de saúde pública e às comunidades oprimidas e da classe trabalhadora, o movimento sindical deve ser uma arma de contra-ataque. As greves são uma das ferramentas mais poderosas que temos — não apenas para defender os trabalhadores, mas para proteger a saúde pública e o bem-estar de forma mais ampla, seja lutando contra a austeridade hospitalar, resistindo ao terror do ICE em nossas comunidades ou opondo-se à crescente agressão imperialista no exterior, que inevitavelmente acaba prejudicando as comunidades nos EUA.
Enfermeiros estão em greve pela segurança dos pacientes, dando um exemplo para o movimento trabalhista em geral. Devemos estar dispostos a entrar em greve quando nossas comunidades não são seguras ou quando políticas imperialistas colocam em risco a classe trabalhadora, tanto no país quanto no exterior. É por isso que temos convocado uma greve em toda a América para lutar contra a agressão imperialista, que está ligada ao aumento dos ataques do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) no país. O denominador comum, sejam as precárias condições de trabalho na área da saúde, os ataques imperialistas no exterior ou os assassinatos cometidos pelo ICE no país, é um sistema capitalista e uma classe dominante que nos vê a todos como descartáveis.
Solidariedade aos nossos colegas da enfermagem em greve por toda a cidade de Nova York. Se você quiser apoiar, compareça a um dos piquetes e siga a NYSNA para atualizações.
Com ESQ/DIÁRIO