O cineasta Pedro Almodóvar participou nesta segunda-feira (15) de um ato na Puerta del Sol, em Madri, organizado pelo coletivo Artistas com Palestina, onde foi lida a carta de uma criança gazita.
O ato também consistiu na leitura dos nomes de 18.500 crianças palestinas assassinadas em Gaza desde outubro de 2023, para que sua memória não seja apagada e para exigir o fim do massacre. Este evento contou com a participação de mais de 300 personalidades da cultura e o apoio de diversas ONGs humanitárias.
“Diante da situação insuportável que estamos vivendo, presenciando um genocídio que não cessa enquanto os governantes do mundo nos tornam cúmplices com seu silêncio e sua inação, não podemos ficar calados nem um único dia”, declararam os organizadores da convocação. Entre os 300 artistas, estavam personalidades como Rosa Montero, Andrés Lima, Javier Fesser, Miguel Ríos, Hernán Zin, Aitana Sánchez-Gijón, Juan Mayorga, Ara Malikian, Kiti Manver, Adriana Ugarte, Juan Carlos Fresnadillo, Juan Diego Botto, entre outros.
A carta completa que Pedro Almodóvar leu diz: “Eu queria ter uma bicicleta e uma casa. Não quero viver em uma barraca. Quero que abram os cruzamentos para que possamos comer frango, carne, peixe e frutas. Não quero viver em uma barraca quente cheia de moscas e ratos. Quando estava no sul, sonhava em voltar para Gaza e encontrá-la como estava, mas a encontrei destruída. Quando voltamos, nossa casa estava em ruínas e queimada. Toda minha roupa e meus brinquedos estavam queimados. Meus entes queridos e meus irmãos faleceram. Eu queria ter telefone. Quando voltamos, quis ir à escola, mas a encontrei destruída. Muitos professores foram assassinados. Não tivemos aulas por quase dois anos. Agora vivo em uma barraca e sonho em ser policial ou engenheiro para servir ao meu povo e aos meus vizinhos que tanto amo. Viva a Palestina Livre.”
Um grito que percorre o mundo
A ação em Madri coincide com os protestos registrados ao redor do mundo por personalidades do mundo da cultura. Mais de 3.000 profissionais do cinema, incluindo figuras destacadas como Mark Ruffalo, Emma Stone, Javier Bardem, Olivia Colman e Tilda Swinton, assinaram um compromisso para não colaborar com instituições e empresas israelenses que estão implicadas no genocídio e apartheid contra o povo palestino.
Film Workers for Palestine é um movimento internacional formado por cineastas, atores e trabalhadores da indústria cinematográfica que se uniram para exigir o fim do genocídio e da ocupação na Palestina.
O movimento busca construir espaços e estruturas de organização para responder ao genocídio contra os palestinos e à censura de vozes que denunciam o massacre promovido por Israel. Os membros reconhecem o poder do cinema para moldar percepções e a necessidade urgente de agir eticamente em um contexto onde governos permitiram o genocídio em Gaza. Rejeitam a cumplicidade com atos genocidas e apartheid e fazem um apelo à responsabilidade ética da indústria cinematográfica.
Film Workers for Palestine foi inspirado no movimento Filmmakers United Against Apartheid, que na década de 1980 promoveu um boicote contra a distribuição de filmes na África do Sul do apartheid. De maneira semelhante, este movimento exige um boicote a festivais e companhias cinematográficas israelenses, como o Festival de Cinema de Jerusalém e o Festival Internacional de Cinema de Haifa, acusados de apoiar o apartheid e o genocídio.
Com informações de Esquerda Diário