A ex-procuradora geral do Exército de Israel, Yifat Tomer-Yerushalmi, foi detida após fingir seu suicídio para se desfazer de um telefone que a incriminava no vazamento de um vídeo em que se viam torturas e violações contra um prisioneiro palestino por soldados israelenses.
As imagens vazadas, que causaram comoção internacional, são de agosto do ano passado, em pleno genocídio de Israel contra Gaza, e mostram soldados israelenses conduzindo um prisioneiro palestino com os olhos vendados, antes de cercá-lo com escudos antidistúrbios para ocultar a violação em grupo.
O vazamento apenas confirmou as denúncias constantes do povo palestino sobre as violações sofridas pelos prisioneiros nas cadeias israelenses, que são ainda mais severas quando se trata daqueles que foram presos em Gaza durante o genocídio.
Tomer-Yerushalmi seria interrogada pela investigação aberta na semana passada após virem a público as imagens da violação que ocorreram no centro de detenção de Sde Teiman.
O escândalo aumentou neste fim de semana quando a ex-promotora simulou seu próprio suicídio. Tomer-Yerushalmi desapareceu no domingo após deixar um bilhete à sua família e abandonar seu carro na praia. A suspeita é de que fingiu uma tentativa de suicídio para se livrar de seu telefone, que jogou no mar, e que continha provas incriminatórias. Ela acabou sendo detida e, nesta segunda-feira, estava sendo interrogada.
A indignação com a violação cresceu tanto que o governo de Netanyahu teve que vir a público dar explicações, mas como era de se esperar, o Estado sionista, colonialista e genocida não está preocupado com o estupro, e sim com o vazamento do vídeo. Netanyahu definiu o episódio como um “fracasso midiático”.
A desumanização do povo palestino é uma constante por parte do Estado de Israel, que se aprofundou ainda mais com o genocídio em Gaza. Enquanto muitos dos principais ministros do governo e figuras da mídia chamaram a população palestina de animais que “merecem ser assassinados”, à destruição de suas casas, escolas, hospitais e estradas, somaram-se os deslocamentos massivos, os assassinatos premeditados e o uso da fome como arma de guerra. Mas há muito tempo o povo palestino denuncia a brutalidade sofrida pelos sequestrados e detidos nas prisões israelenses, onde abuso, tortura, violação e morte são acontecimentos rotineiros.
Desde outubro de 2023, mais de 80 detidos palestinos morreram em prisões israelenses devido a torturas e abusos.
O vazamento do último vídeo apenas confirma essas denúncias, bem como o caráter colonial, racista e genocida do Estado de Israel.
Com Esq Diário