Maputo, 05 de Agosto (AIM) – A sócia da Ernst & Young (EY) Moçambique, Francisca Neves, defende que a criação de um Banco de Desenvolvimento poderá contribuir para a transformação económica do país, mas adverte que a instituição apenas produzirá os resultados esperados se assentar numa governação sólida.
“A experiência internacional demonstra que os bancos de desenvolvimento podem ser instrumentos muito eficazes, mas apenas quando operam com forte disciplina institucional e foco em resultados”, afirmou.
Entendemos que a criação de um Banco de Desenvolvimento representa uma oportunidade vital para fortalecer a capacidade de financiamento da economia nacional e apoiar a transformação estrutural do país, num contexto marcado pela necessidade de reduzir a dependência da ajuda externa.
Sustenta-se que a experiência internacional demonstra que este tipo de instituições financeiras pode desempenhar um papel determinante no desenvolvimento econômico, desde que assente em elevados padrões de governança, transparência e disciplina institucional.
Segundo o especialista, um Banco de Desenvolvimento poderá preencher lacunas deixadas pelo sistema bancário comercial, canalizando financiamento para áreas consideradas estratégicas, mas que, pela sua natureza ou nível de risco, nem sempre fornece acesso ao crédito tradicional.
Entre os principais objetivos apontados pela EY destacam-se o financiamento de projetos estruturantes de longo prazo, o apoio às pequenas e médias empresas, a promoção da industrialização e da diversificação económica, o financiamento de setores prioritários para o desenvolvimento nacional e a capacidade de mobilizar recursos concessionais e mecanismos de financiamento misto.
Na perspectiva da auditoria, estes instrumentos poderão contribuir para aumentar a capacidade produtiva do país, estimular o investimento privado e criar bases mais sólidas para um crescimento econômico sustentável e inclusivo.
Reiterando que o sucesso dependerá, sobretudo, da qualidade da sua gestão e da robustez das suas instituições.
Sublinha que a experiência internacional revela igualmente que estas entidades apenas produzem os resultados esperados quando operam com independência técnica, forte disciplina institucional e rigor na avaliação dos investimentos.
A EY entende ainda que a criação do banco deve ser acompanhada pelo fortalecimento dos mecanismos nacionais de cooperação do financiamento ao desenvolvimento, evitando a dispersão de recursos e a duplicação de iniciativas, factores que têm impacto limitado de vários programas de apoio ao País.
Neste sentido, Francisca Neves defende a existência de estruturas capazes de planear, coordenar e monitorizar os diferentes fluxos de financiamento, assegurando o seu alinhamento com as prioridades nacionais de desenvolvimento e maximizando o retorno económico e social dos investimentos realizados.
O projecto de criação do Banco de Desenvolvimento integra a agenda do Governo moçambicano como um dos instrumentos destinados a reforçar o financiamento da economia, promover a industrialização e apoiar sectores considerados chaves para o crescimento do país.
As autoridades estão avançando na definição do modelo institucional, da estrutura de capital e do quadro legal que deverá reger a futura instituição, encontrando-se o processo ainda na fase de estruturação e preparação da sua implementação. Com Agência AIM
(AIM)
Paulino Checo/