Hannah Einbinder, filha de judeus e comediante de stand-up, ganhou projeção nos EUA com seu papel como Ava Daniels em Hacks (HBO Max), uma série que expõe com ironia as contradições do show business, do etarismo, do feminismo liberal e das disputas de poder no humor estadunidense. Sua atuação vem sendo aclamada por explorar de forma crítica a experiência de mulheres na indústria e por representar uma geração marcada pela precariedade e ansiedade existencial. Além de Hacks, participou de especiais como Everything Must Go, minisséries e performances com conteúdo abertamente político e anti-establishment.
A manifestação de Einbinder no Emmy se soma a uma série de protestos e atos simbólicos de artistas de Hollywood contra o genocídio em Gaza e o apoio militar dos EUA a Israel. No mesmo evento, o ator espanhol Javier Bardem apareceu com uma keffiyeh e fez declarações duras sobre a cumplicidade da indústria cultural com o massacre palestino. Outros nomes – como Ramy Youssef, Quinta Brunson e os membros do coletivo Artists4Ceasefire – também utilizaram broches, peças de roupa e discursos para exigir cessar-fogo imediato e responsabilização internacional. Essa crescente onda de repúdio ao sionismo dentro da cultura pop marca uma ruptura importante no discurso hegemônico pró-Israel nas grandes premiações.
Essa não foi a primeira vez que Hannah Einbinder expressou sua solidariedade ao povo palestino. Em março, ao receber o Visibility Award da Human Rights Campaign, ela denunciou abertamente os massacres em Gaza e a cumplicidade do governo Biden. Em suas palavras: “Nunca mais é agora. Não em nosso nome.”. Einbinder também assinou a carta do coletivo Film Workers for Palestine, que exige boicote às instituições culturais cúmplices do apartheid israelense, e criticou a repressão a ativistas pró-Palestina nos EUA, que incluíram prisões.
Com Esquerda Diario