O presidente da Itália, Sergio Mattarella, fez uma dura defesa dos direitos humanos durante o evento que celebrou os 150 anos da morte do escritor e filósofo Alessandro Manzoni (1785-1873) e ressaltou os valores da Constituição do país e da Carta da ONU sobre o tema.
“A Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, representa uma carta fundamental, nascida depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial, que individualiza a pessoa humana em si, sem nenhuma diferença, como sujeitos portadores de direitos, parando assim a estrada contra nefastas concessões de supremacia baseada na raça, no pertencimento e, de maneira definitiva, sobre a exploração, a perseguição, a prevalência do mais forte. Conceitos e assuntos que foram expressamente colocados na base da nossa Constituição”, pontuou.
Citando Manzoni, Mattarella ressaltou que o filósofo também tinha a visão “de que é a pessoa, enquanto filha de Deus, e não a estirpe, o pertencimento a um grupo étnico ou a uma comunidade nacional, a ser destinatária de direitos universais, de tutela e proteção”.
“É o homem enquanto tal, enquanto cidadão, a ser o portador da dignidade e dos direitos”, acrescentou.
O presidente italiano ainda alertou que é preciso governar sem seguir os “perniciosos humores das multidões anônimas, os preconceitos, os estereótipos e lembrar de quais riscos corremos quando os detentores do poder – político, legislativo ou judiciário – querem agradá-las [as multidões] a qualquer custo, buscando um efêmero consenso”.
Além disso, Mattarella disse que é necessário “refletir sobre a tendência, registrada em todo o mundo: das classes dominantes cederem para a própria base eleitoral ou de apoio e a seus mutáveis humores, fato registrado dia após dia por meio de pesquisas, mais do que dedicar-se a construir políticas de amplo espectro, capazes de resistir aos anos e definir o futuro”.