O atual secretário de Segurança do governo de São Paulo, Guilherme Derrite, vai se licenciar do cargo para se tornar relator do Projeto de Lei (PL) que classifica organizações como PCC e CV como “narcoterroristas”. A relatoria do PL estava anteriormente com Nikolas Ferreira. Derrite é o secretário responsável pela Operação Escudo, uma das mais letais de São Paulo.
O agora deputado federal retorna à Câmara dos Deputados para defender o legado das operações sanguinárias do estado de São Paulo e das operações do Rio de Janeiro. Para o secretário licenciado, os policiais têm direito à presunção de inocência, à defesa do Estado — e até mesmo direito à fraude em cenas de crime, como denunciam uma série de familiares de vítimas do Estado. Enquanto isso, há carta branca para executar jovens negros na favela.
A política de Derrite e da extrema-direita, junto a Castro, aos governadores e à família Bolsonaro, não visa apenas aumentar a repressão policial. Seu objetivo é, a partir dela, intensificar a ingerência imperialista no Brasil e na região. Isso se manifesta no desejo de pautar a anistia, como expressou Nikolas Ferreira no X (antigo Twitter), e nas de Eduardo Bolsonaro para Trump posicionar embarcações na costa brasileira. Não à toa, o governo Milei, ponto de apoio do trumpismo na América Latina, busca classificar o PCC e o CV como “narcoterrorismo”.
A repressão policial, expressa na maior chacina da história do Rio de Janeiro, acompanha movimentos econômicos e políticos do governo do estado, como a tentativa de venda da CEDAE (agora a parte de captação da água) e de imóveis do governo. Paralelamente, tenta reafirmar sua posição eleitoral, seja para a candidatura ao Senado ou para alianças na próxima eleição de governador.
Combater essa ingerência imperialista não vai ser dar com acordos na Malásia com Trump ou com mais inteligência. Será sim com a mobilização dos trabalhadores, do movimento estudantil, nos movimentos sociais e de direitos humanos, levantando as bandeiras do fim das operações policiais, justiça a todas as vítimas da violência do Estado, e exigindo “Fora Castro Assassino”.
Com Esq Diário