Enquanto isso, os governos internacionais, em especial dos países imperialistas onde as manifestações mais importantes estão ocorrendo, e dos países árabes já demonstraram sua inépcia para dar qualquer saída frente ao massacre realizado pelo estado sionista de Israel. Esta inclusive foi uma das denúncias e um dos motivadores da própria iniciativa da Global Sumud Flotilha, que buscava simplesmente levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.
Frente ao sequestro absolutamente criminoso dos membros da Flotilha por parte de Israel, até o momento, poucos destes governos se pronunciaram. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi o único que até o momento expulsou os diplomatas israelenses em represália ao sequestro da Flotilha. Já a Turquia rapidamente definiu a abordagem da marinha israelense corretamente como um “ataque terrorista”. Em mensagem do ministério das Relações Exteriores, afirmou: “O ataque das forças israelenses em águas internacionais à Flotilha Global Sumud, que partiu para entregar ajuda humanitária a Gaza, é um ato terrorista que viola gravemente o direito internacional e coloca em risco a vida de civis inocentes”.
Apesar da denúncia correta, a Turquia está ao lado do Qatar e demais nações árabes intermediando o inaceitável plano de colonização contra o povo palestino que Trump apresentou como o seu “plano de paz”. Este plano nega qualquer possibilidade de que os palestinos sejam os que possam definir os seus destinos em seu território histórico, enquanto garante absoluta impunidade a Israel, e busca transformar a Faixa de Gaza em um negócio promissor para grupos capitalistas, em especial estadunidenses e britânicos.
O governo francês na voz do seu ministro das Relações Exteriores, Jean Noel-Barrot limitou-se a declarar que a Flotilha estava sendo “abordada” e que “A França pede às autoridades israelenses que garantam a segurança dos participantes, garantam o direito à proteção consular e permitam seu retorno à França o mais rápido possível”. Nenhuma palavra de condenação a Israel, apesar da demagogia de Macron do reconhecimento recente a um fictício estado Palestino enquanto segue perseguindo aqueles que se mobilizam contra o genocídio dentro de seu país.
Já a posição do governo português foi escandalosa. Após o ministro dos Negócios Exteriores, Paulo Rangel afirmar que os membros da delegação portuguesa “viajam por sua conta e risco”, ainda elogia Israel afirmando que “Desde o início, mas em particular nos últimos oito dias, as autoridades consulares tiveram contato diário com as autoridades israelitas, por vezes até mais do que uma vez por dia. Indicaram-nos qual seria o sítio para onde elas seriam levadas e onde as poderíamos visitar, para dar a proteção consular e tratar do repatriamento. Uma colaboração que diria profissional, por parte das autoridades israelitas”.
Até o momento Lula, que definiu a situação em Gaza como genocídio em seu discurso na ONU, não se pronunciou sobre o sequestro da Flotilha, mesmo diante do fato de que toda a delegação de 14 brasileiros levadas contra a sua vontade para prisões israelenses, que está integrada inclusive por uma deputada do PT.
Neste momento é fundamental que se denuncie o caráter efetivamente terrorista da interceptação da Flotilha. Mas que se passe das palavras à ações coerentes com essa definição, exigindo o fim do genocídio, a liberdade imediata de todos os membros da Flotilha, rompendo relações econômicas e diplomáticas com o Estado de Israel, e acabando com a perseguição aos que lutam em defesa da causa palestina em qualquer país do mundo.
Com ED