Pouco mais de duas semanas após o assassinato de Renee Nicole Good, agentes federais mataram outra pessoa em Minneapolis em plena luz do dia.
Em um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, seis agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) aparecem imobilizando uma pessoa na calçada. Não mais que 10 segundos depois, enquanto um dos agentes golpeia repetidamente o indivíduo no rosto, outro agente abre fogo. Pelo menos quatro tiros são ouvidos, após os quais a pessoa cai no chão, imóvel. Depois de um breve momento, vários agentes continuam atirando à queima-roupa, apesar da pessoa permanecer completamente imóvel no chão, enquanto outros agentes fogem da cena. Ao todo, é possível ouvir pelo menos 10 disparos.
As imagens não deixam dúvidas: os agentes da CBP realizaram uma execução pública. Não há contexto, motivo para a detenção, ou qualquer circunstância que possa mudar ou amenizar esse fato. Imediatamente após o assassinato, centenas de manifestantes se dirigiram ao local. Agentes do DHS são vistos ao vivo lançando gás e spray de pimenta nas pessoas ao redor, enquanto os manifestantes gritam: “Estou sentindo cheiro de nazistas.”
Não é coincidência que esse assassinato ocorra um dia após as grandes ações que paralisaram Minneapolis na sexta-feira. Comércios fecharam e, apesar do frio intenso, mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas. Em todo o país, dezenas de milhares de pessoas se uniram à luta exigindo a saída do ICE de nossas comunidades, escolas e bairros.
Não podemos aceitar isso. O presidente Trump e sua Gestapo não serão detidos sem uma ação decisiva. Devemos paralisar tudo em uma greve geral, expulsar todos os agentes federais de Minneapolis e de todas as cidades dos EUA, e exigir a abolição do DHS. Minneapolis é o campo de batalha que definirá a situação política, nossa capacidade de protestar, de nos manifestar ou até mesmo de viver sem medo. Trump reestruturou as agências federais de imigração para que se tornassem uma força de choque leal ao seu governo, mirando não apenas imigrantes, mas cada vez mais manifestantes, a esquerda e qualquer pessoa que se oponha a ele ou à sua agenda.
Ao justificar o assassinato de Renee Nicole Good, Trump e Vance deram sinal verde para que as forças de extrema-direita do DHS liberassem sua raiva racista e xenofóbica contra o povo de Minneapolis, dando-lhes na prática o direito de matar com impunidade.
A ação massiva da classe trabalhadora que paralisou Minneapolis mostrou como podemos lutar com sucesso. No entanto, os líderes sindicais responderam principalmente à pressão e aos esforços de organização vindos da base. Eles não incentivaram nem coordenaram a mobilização das bases em escolas e locais de trabalho para realmente paralisar tudo. Precisamos exigir mais dos nossos sindicatos. Em Minneapolis e em todo os Estados Unidos, precisamos nos preparar para uma greve geral que mostre a força da classe trabalhadora e do povo.
Precisamos que a energia e a combatividade de Minneapolis se espalhem por todo o país.
Em todo o território, precisamos desenvolver comitês de ação para organizar a solidariedade ativa dos nossos locais de trabalho e bairros com o povo de Minnesota. Devemos acumular forças rumo a uma greve geral nacional organizada.
Isso precisa incluir os sindicatos de professores, que organizaram greves importantes nos últimos anos, e o UAW [1], que organiza setores vitais da indústria no meio-oeste. Líderes do UAW como Shawn Fain, em especial, têm uma responsabilidade — e a capacidade — de coordenar toda a região centro-oeste em solidariedade a Minnesota e propor passos concretos rumo a uma greve geral nacional.
Tais ações também devem incluir os Teamsters [2], que devem escolher o lado de seus irmãos imigrantes, e não o das políticas assassinas de Trump. Trata-se de defender nosso direito de protestar, de enfrentar a agenda racista e reacionária promovida pelo governo Trump, e de lutar contra uma força policial paramilitar que pode sequestrar e matar com impunidade.
Embora devamos exigir ação decisiva das lideranças sindicais, essa luta deve ser organizada de baixo para cima. Já estamos vendo organização de base nas redes espontâneas de defesa contra o ICE que estão surgindo por Minneapolis e em cidades como Chicago e Los Angeles. Também vimos isso nas chamadas “escolas santuário” em Minneapolis, onde comitês de base de professores estão se organizando para proteger seus alunos imigrantes.
Precisamos expandir esse tipo de comitê para todos os nossos locais de trabalho e sindicatos, para usar a arma mais poderosa que temos: a greve. Isso fortalecerá e inspirará os esforços de auto-organização em bairros e locais de trabalho para se defender das agências de imigração e construir uma greve geral nacional.
As vidas de nossos vizinhos imigrantes e ativistas estão literalmente em risco, e a agenda autoritária e violenta de Trump não será detida sem uma ação de massa decisiva e organizada.
[1] United Auto Workers, o sindicato que representa os trabalhadores da indústria automotiva
[2] sindicato que representa, entre outras categorias, trabalhadores de setores chave da logística
Com ESQ DIÁRIO