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A “química” extrativista entre Lula e Trump e a urgente necessidade de lutar contra a destruição ambiental

O governo Lula gosta de repetir que está “reconstruindo a soberania nacional”
  • Mauricio Lima
  • 23 outubro 2025
  • Geral, Manchetes
Foto: Reprodução / Esq Diário
Foto: Reprodução / Esq Diário

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Lula, por sua vez, tem buscado projetar-se internacionalmente como um dos principais defensores do combate às mudanças climáticas. Por isso, há tempos vem atribuindo grande peso em seus discursos à COP 30, que começará em 10 de novembro. No entanto, após a autorização para a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, esse evento já mostra seu conteúdo real, uma verdadeira farsa, sendo mais um dos eventos do chamado “capitalismo verde”, que se limita à demagogia e a promessas jamais cumpridas. Na prática, será mais uma conferência do petróleo e do extrativismo, revestida de um discurso ambientalista vazio.

A celebração do governo diante da possibilidade de liberar novas gigatoneladas de carbono na atmosfera ocorre justamente quando inúmeros estudos e pesquisas apontam perspectivas cada vez mais alarmantes sobre a crise ambiental. Recentemente, o relatório Global Tipping Points 2025, elaborado por cientistas de mais de 20 países, aponta que a Terra pode já ter ultrapassado o ponto de não retorno climático, com o colapso dos recifes de corais e o limite de 1,5°C de aquecimento global sendo superado.

Além disso, a exploração de petróleo na Foz do Amazonas ameaça diretamente os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, colocando em risco seus territórios, modos de vida e ecossistemas dos quais dependem. Vazamentos e contaminações podem gerar impactos irreversíveis, repetindo o padrão histórico de destruição e violência imposto às populações originárias em nome do lucro das petroleiras.

Ao defender a exploração da Foz do Amazonas e promover novos leilões de petróleo, o presidente brasileiro se coloca próximo da mesma lógica do slogan trumpista: expandir a fronteira extrativista, entregar campos a multinacionais e transformar o país em plataforma de exportação de combustíveis fósseis.
Atrás do discurso da “soberania energética” e da “geração de empregos”, estão os interesses do imperialismo e do capital financeiro. É a política do drill, baby, drill, agora tropicalizada e apresentada como “transição energética possível”.

A verdade é que desde Fernando Henrique Cardoso até o atual governo Lula, o Brasil tem mantido um pacto extrativista que, apesar das diferenças de discurso e ritmo entre os governos, preserva a mesma lógica de fundo. Um modelo econômico baseado em bilionários incentivos ao agronegócio, expansão da mineração e exportação de commodities, em detrimento de uma verdadeira soberania nacional.

Esse pacto consolidou um padrão de acumulação que combina destruição ambiental, primarização produtiva e crescente subordinação ao imperialismo, transferindo ao capital estrangeiro o controle sobre os recursos estratégicos do país. Em nome de um “crescimento sustentável” que serve ao lucro de poucos, o Estado brasileiro segue hipotecando seu território e seu futuro a uma lógica extrativista que destrói biomas, precariza o trabalho e mostra a farsa de qualquer discurso de desenvolvimento soberano e socialmente justo.

O governo Lula gosta de repetir que está “reconstruindo a soberania nacional”. Mas como falar em soberania quando o Brasil bate recordes históricos de produção de petróleo — mais de 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia — e, ao mesmo tempo, vê a Petrobrás ficar com apenas 61% desse total? Produzimos mais do que nunca, mas o petróleo é cada vez menos nosso. É pelas mãos do imperialismo que, como viemos denunciando, o petróleo brasileiro vem abastecendo os tanques do genocídio em Israel.

Essa corrida por mais extração, agora com o foco na Margem Equatorial, nada tem a ver com garantir energia ao povo brasileiro. É uma política a serviço da exportação de petróleo cru, subordinada aos interesses dos grandes acionistas e das multinacionais imperialistas. A cada leilão, o governo entrega mais pedaços do nosso subsolo, reduzindo a participação da Petrobrás e aumentando a dependência do país.

No último leilão da Bacia da Foz do Amazonas, foram as petroleiras estrangeiras que conquistaram a maior parte dos campos. No leilão de 22/10 do pré-sal a maior parte também ficou com empresas estrangeiras. A Petrobrás, além de ter quase metade de suas ações nas mãos de investidores internacionais, segue operando para gerar lucros recordes a esses mesmos acionistas.

Essa política predatória do governo Lula desenvolve-se em paralelo ao avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, que podem culminar na entrega de vastas reservas de terras e minerais raros aos interesses do imperialismo norte-americano. Por trás da retórica “soberanista” de Lula, emerge uma face de maior subordinação do Brasil, justamente em um momento em que os EUA ampliam sua ingerência sobre a América Latina e alimentam a ameaça concreta de uma intervenção na Venezuela.

Não podemos aceitar que Lula negocie terras raras e minerais críticos com Donald Trump ou com qualquer potência imperialista. Esses recursos estratégicos, não podem ser entregues a governos e empresas que historicamente tratam a América Latina como zona de saque.

Além dos enormes riscos ambientais e da violação de territórios indígenas e áreas de preservação, essa negociação aprofundaria a dependência econômica do Brasil e reforçaria a submissão política aos Estados Unidos. Defender a soberania nacional exige romper com essa lógica de vassalagem e colocar os bens naturais comuns sob controle dos trabalhadores e do povo, que são os que devem decidir sobre as políticas de preservação ou destino das riquezas de uma eventual extração.

É preciso dar um basta nas privatizações, terceirizações e destruição ambiental em nome do lucro. Não há transição energética possível nas mãos dos capitalistas, dos governos de conciliação e nem de uma Petrobrás controlada para acionistas privados. A verdadeira transição ecológica só pode vir das mãos da classe trabalhadora.

É urgente unificar a luta por empregos, direitos e meio ambiente em torno de um programa que enfrente o capitalismo e os interesses do imperialismo, exigindo o fim imediato dos leilões de petróleo, a retomada do monopólio estatal da Petrobrás, a nacionalização de todos os bens naturais comuns como petróleo e os minerais estratégicos, a estatização de toda a cadeia produtiva da Petrobrás e a implementação de uma gestão democrática e operária, articulada com ambientalistas e pesquisadores das universidades públicas e em aliança com os povos indígenas e quilombolas.

Só uma Petrobrás 100% estatal, sob controle dos trabalhadores, pode garantir uma transição energética real, que preserve o planeta e coloque qualquer eventual extração a serviço do povo.

Além disso, precisamos lutar pela derrubada do Marco Temporal, lutando pela demarcação de terras indígenas e quilombolas que até agora não vêm sendo feitas pelo governo Lula, em benefício dos acordos com a bancada ruralista, da mineração e de outros interesses fundiários. Junto com isso, lutar por reforma agrária radical e estatização de grandes monopólios do agronegócio, para produção de alimentação sem uso de pesticidas e agrotóxicos que envenenam o solo, os rios e a população, com demarcação das terras indígenas. Todos esses mecanismos de saque material do país que se combinam à superexploração e precarização do trabalho e ao saque financeiro garantido pelo Arcabouço Fiscal e pela Dívida Pública. Por isso lutamos pela revogação integral do Arcabouço Fiscal e de todas as reformas e pelo não pagamento da dívida pública.

Enquanto esse imenso ataque ao meio ambiente se coloca, as centrais sindicais mantêm uma completa paralisia se negando a chamar qualquer medida de mobilização. Nem mesmo a luta contra os leilões de petróleo foi defendida pela CUT e outras burocracias sindicais ligadas ao governo Lula. Não podemos aceitar que o interesse dos imperialistas e dos grandes capitalistas se imponha sem resistência. É preciso exigir todo tipo de mobilização e um verdadeiro plano de lutas para levantar a força unificada da classe trabalhadora junto aos povos indígenas, aos sem-terra e à juventude de todo o país contra a destruição do meio ambiente e contra o aprofundamento da subordinação ao imperialismo e seu saque.

Com Esq Diário

Mauricio Lima

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