La Paz, 9 de julho de 2026 (ABI) – Autoridades do Ministério de Hidrocarbonetos e Energia e representantes da Petrobras estabelecerão mesas de diálogo técnico na segunda-feira, 13 de julho, para definir o retorno e a participação da estatal brasileira na cadeia de hidrocarbonetos da Bolívia, bem como seu apoio na reestruturação da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), informou nesta quinta-feira o ministro Marcelo Blanco.
“O objetivo é que eles retornem à produção, que explorem aqui na Bolívia, e que façam novas explorações, (…) que haja uma parceria estratégica”, disse o Ministro Blanco, destacando que a Bolívia tem uma relação especial com a Petrobras que remonta a muitos anos, por ser uma empresa de um “país irmão” com o qual mantém laços cordiais.
Na indústria petrolífera, a cadeia de hidrocarbonetos é entendida como incluindo a exploração e extração (Upstream), o processamento (Midstream) e a comercialização e distribuição (Downstream).
Uma nova etapa:
A Bolívia inicia uma nova etapa na restauração de suas relações com a Petrobras, presente no país desde 1996, totalizando 30 anos de presença ininterrupta, embora não muito ativa desde a chamada “nacionalização dos hidrocarbonetos” de maio de 2006.
Desde aquela data até o presente, a superexploração dos mega campos de gás natural, aliada à falta de investimento na exploração de petróleo, levou a Bolívia a sofrer hoje uma crise econômica e energética sem precedentes e grave.
Diante dessa realidade, o Presidente do Estado, Rodrigo Paz Pereira, retomou as relações com o Brasil ao se reunir em 17 de março com seu homólogo, Luiz Inácio Lula da Silva, firmando cinco acordos econômicos e comerciais, entre eles a reabertura do setor de hidrocarbonetos.
“Não podemos esquecer que o Brasil é uma das maiores economias do mundo”, afirmou Blanco, observando que a Bolívia abriu uma oportunidade de acesso ao imenso mercado brasileiro. Na sequência, o próximo passo foi a reunião que o ministro realizou nesta quarta-feira, 8 de julho, com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para estabelecer uma agenda de negociações.
“Foi uma reunião muito importante para tentar restabelecer uma relação que não estava indo bem”, disse Blanco, acrescentando que a Petrobras está disposta a vir para a Bolívia e fazer parte de toda a cadeia de hidrocarbonetos.
Reuniões técnicas serão realizadas “o mais breve possível” para tomar decisões sobre o retorno da estatal brasileira, que, segundo Blanco, não estabeleceu “nenhuma condição” para o diálogo, mas é importante estabelecer um marco legal que permita sua atuação na Bolívia.
Reestruturação da YPFB:
Uma segunda ação que faz parte do diálogo já estabelecido com a Petrobras é a colaboração desta na reestruturação da YPFB, dada a sua experiência na superação de crises energéticas anteriores. “(Eles) estão dispostos a nos ajudar em todos os aspectos, em tudo, com toda a experiência que possuem em cada área”, enfatizou Blanco.
No entanto, Blanco esclareceu que, até que se estabeleça um diálogo nas mesas técnicas, é prematuro mencionar em detalhes como a Petrobras retornará à cadeia de hidrocarbonetos, pois primeiro é necessário estabelecer um marco legal adequado e favorável para esse retorno.
Por fim, a autoridade declarou que a negociação criará as condições para que tanto a Bolívia quanto a empresa estatal brasileira estabeleçam participação e lucros; por essa razão, ainda não é possível mencionar valores de investimento, áreas a serem exploradas ou exploradas, ou quando o trabalho no campo começará.
Blanco indicou que a produção atual de gás natural da Bolívia é “mínima” em comparação com o que era antes (quando a Petrobras era mais ativa no setor petrolífero boliviano). “Precisamos olhar para o futuro”, concluiu. Com ABI
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