Maputo, 14 Set (AIM) – Cerca de 80 por cento das crianças moçambicanas não têm uma alimentação modificada, situação que contribui para o défice de micronutrientes e agrava os riscos de desnutrição, alertou hoje (14) o ministro da Saúde, Ussene Isse.
O governante revelou que a desnutrição crónica afecta, actualmente, 37 por cento das crianças no país, enquanto a deficiência em micronutrientes atinge 74 por cento dos menores de cinco anos e 52 por cento das mulheres em idade fértil.
“Não podemos olhar só para a desnutrição. Temos também o sobrepeso e a obesidade a pressão sobre o nosso sistema de saúde”, disse Isse, falando na 1ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que decorre desde esta segunda-feira, em Maputo.
Segundo o Ministro, o problema da desnutrição começa ainda durante a gravidez, sendo fundamental garantir uma alimentação adequada e suplementação às mulheres para reduzir o risco de nascimento de crianças com baixo peso e deficiências nutricionais.
“Se durante a gravidez a mulher não se prepara, não se alimenta bem, não tem suplementação, então a criança já nasce com baixo peso, já nasce com deficiência e com desnutrição”, afirmou.
Isse destacou a necessidade de fortalecer as intervenções comunitárias, sobretudo nas zonas rurais, onde vivem cerca de 65 por cento da população, com atenção às crianças, adolescentes e jovens, que representam quase metade da população moçambicana.
Para responder ao problema, o Ministério da Saúde está implementando a suplementação com vitamina A, minerais e micronutrientes em pó, serviços de nutrição nas consultas da criança e da mulher, desparasitação e fortificação industrial de alimentos.
O setor pretende expandir o pacote de aulas nutricionais para mais de 50 por cento até 2029 e contribuir para reduzir a desnutrição crônica para menos de 30 por cento até 2030.
O Ministro defendeu ainda um plano, orçamento e sistema de avaliação e monitoria comum entre os sectores envolvidos, para evitar a duplicação de esforços e tornar mais eficiente a resposta aos problemas nutricionais do país.
A estratégia prevê, ainda, uma intervenção desde a primeira infância, abrangendo o planeamento familiar, adolescentes, mulheres grávidas, crianças e idosos, com abordagem na promoção de hábitos alimentares saudáveis e na prevenção das diferentes formas de má nutrição. Com AIM
(MIRAR)