Maputo, 3 de agosto (AIM) – O Fórum das Organizações da Sociedade Civil da província de Cabo Delgado (FOCADE) manifestou a sua preocupação e desaprovação relativamente à decisão do governo de escolher Maputo como sede da formação inicial da Academia de GNL de Moçambique.
A Academia de GNL de Moçambique, que dará início à formação de 260 jovens técnicos selecionados para frequentar os cursos, foi criada por iniciativa da empresa francesa de petróleo e gás Total Energies, em parceria com o Ministério da Educação, o Instituto Industrial de Matola e o Instituto Comercial de Maputo.
A conclusão dos cursos será seguida de treinamento prático nas instalações do Projeto de GNL de Moçambique, em Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado.
Este projeto faz parte dos programas de formação técnico-profissional e das iniciativas de conteúdo local implementadas pela Total Energies, que lidera o Projeto de GNL de Moçambique em Cabo Delgado, orçado em cerca de 20 bilhões de dólares.
O projeto teve que ser paralisado em 2021 após um grande ataque terrorista contra a cidade de Palma. No entanto, agora a empresa retomou o projeto, uma vez que as condições de segurança melhoraram.
Em comunicado, a FOCADE considera preocupante que a fase inicial desta formação esteja a decorrer fora da província onde o projeto se situa, dado que Cabo Delgado, e em particular a cidade de Pemba, possui instituições, infraestruturas e capacidade técnica para acolher a iniciativa.
A organização acredita que a decisão levanta questões sobre a verdadeira extensão do compromisso com o conteúdo local e a inclusão das comunidades anfitriãs.
“O desenvolvimento de capacidades locais não deve se limitar à contratação de trabalhadores moçambicanos; deve também garantir que as oportunidades de formação, transferência de conhecimentos e fortalecimento institucional beneficiem diretamente as regiões onde estão sendo implementados os principais investimentos”, lê-se na nota.
Segundo o documento, iniciativas desta dimensão deverão também contribuir para o reforço das instituições de formação existentes em Cabo Delgado, permitindo à província desenvolver uma base técnica capaz de satisfazer as necessidades atuais e futuras da indústria do gás.
“Realizar essa formação em Maputo representa uma oportunidade perdida para impulsionar a economia local de Cabo Delgado, estimular a utilização dos serviços provinciais e aproximar os jovens da realidade do projeto que, em última análise, está a gerar essas oportunidades”, lê-se no documento.
A FOCADE também apela ao governo e à TotalEnergies para que revejam as fases futuras do programa, garantindo uma maior descentralização das oportunidades de formação “e priorizando Cabo Delgado como um local estratégico para o desenvolvimento de competências ligadas ao projeto”.
“Uma província que suporta os impactos, desafios e expectativas associados a grandes investimentos também deve ser um polo de conhecimento, treinamento e oportunidades. O conteúdo local deve ser vivenciado pelas comunidades anfitriãs, e não apenas proclamado como um princípio”, diz a nota. Com Agência AIM
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