MOSCOU, 9 de julho /TASS/. As forças militares dos EUA concluíram uma nova série de ataques contra o Irã, atingindo mais de 80 alvos, informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
As forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, unidades de elite do exército iraniano) atacaram bases americanas no Bahrein e no Kuwait, informou a televisão estatal iraniana.
A TASS compilou as principais informações sobre a escalada do problema.
Novos ataques nos EUA
- As forças militares dos EUA retomaram os ataques ao Irã com o objetivo de enfraquecer a capacidade de Teerã de controlar o Estreito de Ormuz, afirmou o Comando Central dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista ao Truth Social, afirmou que a nova onda de ataques ao Irã é uma retaliação por supostos ataques a embarcações.
Posteriormente, o CENTCOM anunciou a conclusão de mais uma série de ataques contra o Irã.
- Foi especificado que aproximadamente 90 alvos foram atacados.
- Entre eles, o comando listou sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, locais de radar costeiros, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica dentro e perto do estreito [de Ormuz].
Resposta do Irã - As forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, unidades de elite do exército iraniano) atacaram bases americanas no Bahrein e no Kuwait, informou a televisão estatal iraniana.
- A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também alertou que Teerã ampliará seus ataques retaliatórios contra outras bases americanas no Oriente Médio caso Washington continue atacando o Irã.
- O exército iraniano, em resposta aos ataques dos EUA, atingiu um sistema de defesa aérea Patriot americano no Kuwait, informou a televisão estatal da República Islâmica.
Segundo informações, o Irã também atacou um complexo de radares de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível em uma base militar dos EUA no Bahrein.
Situação no Irã
- Fragmentos de projéteis atingiram o prédio do hospital Imam Ali na cidade portuária iraniana de Chabahar após o ataque dos EUA, informou a emissora IRIB.
Segundo a IRIB, o prédio foi danificado. Não houve relatos imediatos de vítimas.
- Três pessoas morreram e várias outras ficaram feridas após os ataques dos Estados Unidos à cidade de Ahvaz, na província iraniana de Khuzistão, informou a agência de notícias Fars.
- De acordo com o vice-governador da província, os feridos receberam atendimento médico e foram tomadas medidas para evacuar as pessoas.
A circulação de trens de passageiros entre a capital iraniana e Mashhad, onde a cerimônia de sepultamento do Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei estava prevista para hoje, foi suspensa devido ao ataque americano ocorrido durante a noite, informou a agência Tasnim.
- Segundo informações, equipes de reparo foram enviadas ao local e começaram a restaurar a linha férrea.
- Observa-se que as autoridades desenvolveram uma rota alternativa para o deslocamento de passageiros, que consiste em contornar o trecho danificado utilizando transporte rodoviário.
- Pelo menos 14 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas em ataques dos EUA contra o Irã nos dias 8 e 9 de julho, afirmou o porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Hossein Kermanpour.
- Segundo Kermanpour, 47 pessoas permanecem hospitalizadas e estão recebendo assistência médica.
Estreito de Ormuz
O tráfego de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz caiu ao mínimo, visto que os EUA vêm atacando alvos no Irã há dois dias consecutivos, informou a Bloomberg, citando dados de serviços de rastreamento de embarcações.
- De acordo com os dados disponíveis, a movimentação de embarcações é observada apenas na parte norte do estreito, ao largo da costa do Irã, por onde passa o chamado corredor norte, uma rota aprovada pelas autoridades iranianas.
- Na parte sul do estreito, no chamado corredor omanita, não se observa qualquer movimento, escreve a agência.
Apenas dois grandes navios estão atravessando o estreito: um superpetroleiro sujeito a sanções dos EUA e um navio porta-contêineres com bandeira iraniana.
A agência observa que algumas embarcações também podem estar no estreito, mas com seus transponders desligados.
- No dia 8 de julho, 14 navios mercantes cruzaram o estreito em ambas as direções.
Antes da mais recente escalada do conflito entre o Irã e os EUA, uma média de 34 embarcações por dia passavam por essa via navegável.
Situação no Bahrein e no Kuwait
- Foi declarado alerta aéreo no Bahrein, informou o Ministério do Interior do reino em sua página nas redes sociais.
- Diversas explosões atingiram o Bahrein após um alerta de ataque aéreo, informou a agência AFP, sem fornecer mais detalhes.
Posteriormente, o Ministério do Interior do Bahrein relatou novamente a ativação das sirenes de alerta aéreo no país.
- As forças de defesa aérea do Bahrein interceptaram e destruíram vários alvos aéreos provenientes do Irã, informou o principal comando de defesa do reino.
- Os sistemas de defesa aérea do Kuwait estão repelindo um ataque com mísseis e drones, informou o Estado-Maior do emirado.
Declarações de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou o Irã de que os Estados Unidos retaliarão cada um de seus ataques com 20 atentados.
Trump afirmou que autoridades iranianas entraram em contato com Washington a respeito de um possível acordo, mas ele tem dúvidas sobre sua viabilidade.
Declarações do lado iraniano
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que o Estreito de Ormuz só será aberto após as condições de Teerã serem atendidas, e não sob ameaças de Washington.
— O memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos não foi construído sobre a confiança desde o início, mas sim sobre um mecanismo claro de “compromisso em troca de compromisso”, disse à TASS um representante da embaixada da República Islâmica em Moscou.
Ele enfatizou que os EUA estão “efetivamente repudiando” as disposições da quinta cláusula do memorando, que consagra o papel do Irã na determinação da ordem segura para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
Segundo ele, com suas ações unilaterais, bem como com os ataques agressivos contra o Irã, os EUA violaram efetivamente a estrutura do acordo. Com TASS